Câmara dos Deputados e Senado
protocolaram nesta quinta-feira (15) um documento que pede a suspensão dos atos
do ministro do STF, Flávio Dino, sobre emendas parlamentares
A Câmara dos Deputados,
o Senado Federal e
os presidentes de partidos entrarão nesta quinta-feira (15), com um recurso
pedindo para suspender a liminar apresentada ontem pelo ministro Flávio Dino, do
Supremo Tribunal Federal (STF),
que interrompe a execução de todas as emendas impositivas. De acordo com fontes
ouvidas pela reportagem, o Congresso estuda
ainda uma medida para melhor disciplinar o uso das emendas, privilegiando
especialmente as de pagamento obrigatório e que asseguram o cumprimento dos
pisos mínimos constitucionais da Saúde e Educação. A proposta das lideranças é
de construir uma saída que contemple Parlamento e governo e que atenda às
exigências do Judiciário.
O presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL),
sinalizou que conversaria com o presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (PSD-MG),
para tratar da decisão de Dino. Em reunião na noite desta quarta-feira (14),
Lira e líderes partidários falaram em recorrer à Corte para tentar derrubar a
determinação do magistrado, mas buscavam o apoio de Pacheco.
Dino suspendeu todas as
emendas impositivas
Dino suspendeu nesta quarta todas
as emendas impositivas de parlamentares ao Orçamento da União até
que o Legislativo crie regras para a execução desses recursos que observem
requisitos de transparência, rastreabilidade e eficiência. Deputados e
senadores chegaram a prever para esta quarta a votação de mudanças nas chamadas
emendas Pix para dar mais transparência nos repasses. A análise ocorreria na
Comissão Mista de Orçamento (CMO), mas o item foi retirado de pauta para a
inclusão da medida provisória do Judiciário que acabou sendo rejeitada.
O Congresso foi pego de surpresa,
e agora os parlamentares querem se debruçar sobre a nova decisão de Dino para
avaliar os desdobramentos. Até então, o ministro havia suspendido apenas a
operação das emendas Pix, que são uma parte das emendas individuais. A nova
decisão, contudo, afeta todas as individuais e também as emendas de bancada
estadual. Dino já havia pedido mais transparência nas emendas de comissão, que
não são impositivas.
A ideia é delimitar o objeto das
emendas Pix, ou seja, explicitar para qual fim o dinheiro está sendo usado
(para qual obra ou política pública específica). Hoje, não fica claro como as
prefeituras estão usando as verbas, embora o nome do deputado que enviou a
emenda possa ser identificado. Emendas parlamentares são recursos no Orçamento
da União que podem ser direcionados pelos deputados e senadores a seus redutos
eleitorais.
Hoje, existem três modalidades:
as emendas individuais, a que cada deputado e senador tem direito, as de
bancada estadual e as de comissão. As duas primeiras são impositivas, ou seja,
o pagamento é obrigatório, embora o governo controle o ritmo da liberação.
As emendas Pix (batizadas com
esse nome em referência ao sistema de pagamento instantâneo criado pelo Banco
Central) são uma forma de manejar as emendas individuais e permitem a
destinação direta de recursos federais a Estados e municípios sem controle e
fiscalização.
Apesar de estarem empenhados em
resolver os problemas de transparência das emendas Pix para atender aos
questionamentos do Judiciário, os líderes da Câmara estão mais preocupados com
o impacto nas emendas de comissão, que também foram incluídas na ação relatada
por Dino no STF.
As emendas de comissão têm sido
usadas como moeda de troca política no Congresso desde o fim do orçamento
secreto, esquema revelado pelo Estadão que consistia no repasse de emendas de
relator sem transparência e de forma que dificultava a fiscalização. A ofensiva
sobre esses recursos, portanto, impacta diretamente no poder da cúpula do
Legislativo, às vésperas das eleições para as presidências da Câmara e do
Senado.
O pano de fundo do imbróglio é
uma disputa de poder entre o Executivo e Legislativo, arbitrada pelo Judiciário.
O orçamento secreto foi declarado inconstitucional pelo STF após a eleição do
presidente Luiz Inácio Lula da Silva, mas parte dos recursos continuou nas mãos
do Congresso, após um acordo feito com o Planalto.
Agora, os parlamentares veem nova
ofensiva do governo federal, em aliança com o Judiciário, para retomar mais
poder sobre o Orçamento. Principalmente porque Dino foi indicado por Lula para
a Corte.
Por Jovem Pan
*Com informações do Estadão
Conteúdo
Publicado por Fernando Keller

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