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Salários de juízes extrapolam o teto constitucional estabelecido
(Rodolfo Buhrer/Reuters)
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Segundo
economistas e profissionais da área de direito, os salários dos juízes, acima
do teto, são um alerta para o ajuste fiscal em discussão no país
O salário dos
juízes no Brasil tem um teto. Não pode ultrapassar o salário de ministros do
Supremo Tribunal Federal, o STF, hoje em 33.763 reais. Na prática, já se sabe
há um tempo, não é bem assim. Um levantamento conseguido pelo jornal O
Estado de S.Paulo mostra que a correlação é bem mais desproporcional.
Um desembargador em Minas Gerais ganha, em média, líquido, 56.000 reais por
mês. Em São Paulo, 52.000 reais. No Rio de Janeiro, 38.000 reais.
Esses valores
superam os pagos a um juiz similar no Reino Unido, que recebe cerca de 29.000
reais, e até dos Estados Unidos, cujo salário mensal médio é de 43.000 reais.
Chega a ser superior a juízes da Suprema Corte de países da União Europeia,
como Bélgica e Portugal.
Os salários
básicos são engordados por adicionais legais, sustentados por interpretações da
legislação. Segundo economistas que já passaram pelo poder público e
profissionais da área de direito, os salários dos juízes, acima do teto, são um
alerta para o ajuste fiscal em discussão no país.
Os juízes são o
topo da cadeia de servidores públicos, diz o responsável pelo levantamento,
Nelson Marconi, coordenador Executivo do Fórum de Economia da Fundação Getúlio
Vargas. Segundo Marconi, quando há uma demanda por qualquer tipo de benefícios
no funcionalismo, os juízes costumam abrir o ciclo de negociações. Na
sequência, diz, vêm Polícia Federal, Receita, advogados do Executivo, Banco
Central e Tesouro Nacional, numa fila que se estende até funcionários
administrativos e professores.
Este ano, o
poder de mobilização do Judiciário já foi visto. Foi a primeira a defender o
seu reajuste salarial, tão logo o governo interino assumiu. “Todas as
categorias vão atuar contra o ajuste fiscal, basta ver que depois que os juízes
conseguiram o reajuste as demais entraram pedindo o seu também”, diz Marconi.
“O verdadeiro desafio será vencer o corporativismo de inúmeras categorias que
vão se mobilizar para pressionar o Congresso e escapar da tesoura”, diz o
economista Marcos Lisboa, presidente do Insper e ex-secretário de Política
Econômica do Ministério da Fazenda.
Marconi explica
que o teto do Judiciário é rompido por uma série de verbas adicionais. Há
diferentes abonos e gratificações – por tempo de serviço, por dupla função e
substituição de colegas em férias ou em licença. Também existem os auxílios –
auxílio pré-escolar, auxílio-saúde, auxílio-moradia. Os ganhos adicionais são
legais e uma parte deles são até eventuais – como gratificações natalinas ou
por férias ou mesmo por ganhos em processos judiciais movidos pelos próprios
juízes.
Veja.com

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