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INFILTRAÇÃO - Dias Toffoli: o ministro reafirmou que conhece
o
empreiteiro e garante que não pediu nem
recebeu nada dele.
(Carlos Humberto/SCO/STF/VEJA)
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Em proposta de
colaboração com a Justiça, Léo Pinheiro fala de suas relações com o magistrado
e de uma obra em sua “mansão de revista”
Era um encontro
de trabalho como muitos que acontecem em Brasília. O ministro Dias Toffoli, do
Supremo Tribunal Federal, e o empreiteiro José Aldemário Pinheiro Filho,
conhecido como Léo Pinheiro, então presidente da construtora OAS, já se
conheciam, mas não eram amigos nem tinham intimidade. No meio da conversa, o
ministro falou sobre um tema que lhe causava dor de cabeça. Sua casa,
localizada num bairro nobre de Brasília, apresentava infiltrações e problemas
na estrutura de alvenaria. De temperamento afável e voluntarioso, o empreiteiro
não hesitou. Dias depois, mandou uma equipe de engenheiros da OAS até a
residência de Toffoli para fazer uma vistoria. Os técnicos constataram as
avarias, relataram a Léo Pinheiro que havia falhas na impermeabilização da
cobertura e sugeriram a solução. É um serviço complicado e, em geral, de custo
salgado. O empreiteiro indicou uma empresa especializada para executar o
trabalho. Terminada a obra, os engenheiros da OAS fizeram uma nova vistoria
para se certificarem de que tudo estava de acordo. Estava. O ministro não teria
mais problemas com as infiltrações — mas só com as infiltrações.
A história
descrita está relatada em um dos capítulos da proposta de delação do
empreiteiro Léo Pinheiro, apresentada recentemente à Procuradoria-Geral da
República e à qual VEJA teve acesso. Condenado a dezesseis anos e quatro meses
de prisão por corrupção, lavagem de dinheiro e organização criminosa no
escândalo do petrolão, Léo Pinheiro decidiu confessar seus crimes para não
passar o resto dos seus dias na cadeia. Para ganhar uma redução de pena, o
executivo está disposto a sacrificar a fidelidade de longa data a alguns
figurões da República com os quais conviveu de perto na última década. As
histórias que se dispõe a contar, segundo os investigadores, só são comparáveis
às do empreiteiro Marcelo Odebrecht em poder destrutivo. No anexo a que VEJA
teve acesso, pela primeira vez uma delação no âmbito da Lava-Jato chega a um
ministro do Supremo Tribunal Federal.
No documento,
VEJA constatou que Léo Pinheiro, como é próprio nas propostas de delação, não
fornece detalhes sobre o encontro entre ele e Dias Toffoli. Onde? Quando? Como?
Por quê? Essas são perguntas a que o candidato a delator responde apenas numa
segunda etapa, caso a colaboração seja aceita. Nessa primeira fase, ele
apresenta apenas um cardápio de eventos que podem ajudar os investigadores a
solucionar crimes, rastrear dinheiro, localizar contas secretas ou identificar
personagens novos. É nesse contexto que se insere o capítulo que trata da obra
na casa do ministro do STF.
Tal como está, a
narrativa de Léo Pinheiro deixa uma dúvida central: existe algum problema em um
ministro do STF pedir um favor despretensioso a um empreiteiro da OAS? Há um
impedimento moral, pois esse tipo de pedido abre brecha para situações altamente
indesejadas, mas qual é o crime? Léo Pinheiro conta que a empresa de impermeabilização
que indicou para o serviço é de Brasília e diz mais: que a correção da tal
impermeabilização foi integralmente custeada pelo ministro Toffoli. Então,
onde está o crime? A questão é que ninguém se propõe a fazer uma delação para
contar frivolidades. Portanto, se Léo Pinheiro, depois de meses e meses de
negociação, propôs um anexo em que menciona uma obra na casa do ministro
Toffoli, isso é um sinal de que algo subterrâneo está para vir à luz no momento
em que a delação for homologada e os detalhes começarem a aparecer.
Veja.com

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