
Na conferência internacional “Mulheres que movem a justiça”, realizada em Brasília, comunicadoras e especialistas defenderam a articulação de redes de apoio femininas como estratégia fundamental para combater o machismo. O evento reuniu nomes de diversas áreas para debater formas de ampliar a participação das mulheres nos espaços de poder e promover uma justiça mais igualitária no Brasil, tema que ganha relevância em meio a debates sobre representatividade e direitos.
Durante os painéis, participantes apontaram que profissionais da informação precisam atuar ativamente contra mensagens misóginas e a desinformação. A presidenta da Empresa Brasil de Comunicação (EBC), Antonia Pellegrino, lembrou que a união feminina já garantiu grandes conquistas históricas no país, como a articulação suprapartidária conhecida como “lobby do batom” durante a Assembleia Nacional Constituinte.
Articulação e sobrevivência
Para Antonia Pellegrino, trabalhar em conjunto representa uma estratégia histórica de sobrevivência para o público feminino. Ela destacou a perspectiva de renovação nos cargos vitalícios do Judiciário na próxima década como uma oportunidade para ampliar a presença de mulheres nesses postos. A fala reforça a necessidade de manter alianças estratégicas diante de discursos extremistas que frequentemente visam a comunicação pública.
A advogada e influenciadora Sara Gabriela também pontuou que o machismo precisa ser enfrentado como um elemento cultural enraizado. Coordenadora de um projeto voltado para o atendimento de vítimas de violência em Goiás, ela defende que a informação jurídica não deve ser suavizada, exigindo clareza e dados concretos para combater a misoginia na sociedade.
Garantia de direitos
O evento ainda abriu espaço para discutir a autonomia financeira e o reconhecimento de direitos patrimoniais. A advogada Miriane Ferreira chamou atenção para situações em que mulheres deixam de reivindicar bens acumulados durante o casamento por não terem atuado no mercado formal, ignorando o valor do trabalho doméstico e do cuidado familiar.
Já a advogada Mayra Cotta abordou os desafios enfrentados por vítimas que buscam reparação legal. Segundo ela, embora haja um aumento no registro de denúncias, o sistema de justiça ainda apresenta falhas severas na forma como acolhe essas ocorrências, exigindo maior conscientização institucional e união para garantir o respeito às mulheres.
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