
A disseminação de listas que visam boicotar empresas e profissionais por suas preferências políticas gerou forte reação de entidades representativas e órgãos ligados ao sistema de Justiça no Brasil. A prática, que vem se intensificando desde as eleições de 2026, tem sido criticada por organizações empresariais, seccionais da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) e o Ministério Público do Trabalho (MPT).
Nas últimas semanas, essas entidades alertaram para os riscos jurídicos e democráticos associados a iniciativas que incentivam o boicote econômico ou a perseguição profissional por razões político-partidárias. O setor de bares e restaurantes, por exemplo, tem sido um dos mais afetados, levando a Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel) a se manifestar oficialmente contra a prática.
Bares e restaurantes reagem
A Abrasel condenou a circulação de listas que associam estabelecimentos a determinados posicionamentos políticos, incentivando consumidores a boicotar esses locais. A associação destacou que campanhas para prejudicar economicamente empresas podem resultar em responsabilização civil e judicial, afetando não apenas os proprietários, mas também os funcionários que dependem da atividade econômica.
OAB e liberdade de expressão
A Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) também se posicionou contra as listas de boicote, ressaltando que a liberdade de manifestação e a pluralidade de ideias são pilares do Estado Democrático de Direito. A entidade alertou que atos de discriminação ou constrangimento podem resultar em responsabilização legal, e que divergências eleitorais não devem justificar perseguição econômica ou exposição pública.
Ministério Público do Trabalho em ação
O Ministério Público do Trabalho identificou situações em que plataformas digitais são usadas para pressionar empresários a vigiar e demitir funcionários por causa de suas escolhas políticas. Em resposta, o MPT entrou com ação civil pública contra a Meta, exigindo a remoção de publicações que incentivam tais práticas.
O procurador do trabalho Maurício de Mello destacou que apenas nos três dias após o pleito, foram registradas 1.140 denúncias de assédio eleitoral, demonstrando a gravidade da situação.
Comparações históricas
A ex-deputada federal Manuela d'Ávila comparou a prática de listas de boicote à perseguição econômica promovida contra judeus na Alemanha nazista. Ela alertou que a identificação pública de empresas e profissionais para estimular prejuízos econômicos por suas convicções políticas é uma prática autoritária.
O professor de História Contemporânea Francisco Carlos Teixeira corroborou essa comparação, afirmando que a organização de listas é uma prática comum em regimes autoritários, incluindo a ditadura militar brasileira.
O Rio das Ostras Jornal continuará acompanhando o caso e trazendo atualizações sobre o impacto dessas listas na região.
Fonte: agenciabrasil.ebc.com.br
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