Entre os principais pontos do decreto há a previsão de que
responsáveis de influenciadores mirins precisem de uma autorização judicial
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva assinou
nesta quarta-feira (18) decreto que regulamenta a lei do ECA Digital.
Sancionada em setembro, a legislação
foi criada para proteger crianças e adolescentes na internet. A lei
entrou em vigor na terça-feira (17), mas alguns pontos exigiam detalhamento e
precisavam ser regulamentados pelo governo federal, o que aconteceu nesta
quarta.
O presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos), participou da cerimônia de assinatura do decreto no Palácio do Planalto. Entre os principais pontos do decreto, como o Estadão adiantou, há a previsão de que responsáveis de influenciadores mirins precisem de uma autorização judicial para lucrar com seus conteúdos.
O decreto também proíbe a monetização de conteúdo
“vexatório”, como exploração e abuso sexual, publicações que retratem
crianças e adolescentes de forma erotizada e sexualmente sugestiva, violência
física, pornografia, entre outros.
Além da regulamentação do ECA, o presidente assinou
outros dois decretos. Um cria o Centro Nacional de Proteção à Criança e ao
Adolescente, ligado à Polícia Federal, que ficará responsável por centralizar
denúncias a respeito de crimes contra menores no ambiente digital. O outro
estrutura a Agência Nacional de Proteção de Dados (ANPD), que ganhará mais
cargos e funções para fiscalizar o cumprimento da legislação.
“Todos precisam fazer sua parte para garantir um espaço
digital seguro, e a responsabilidade primária é das plataformas digitais. Com a
nova lei, as plataformas passam a ter obrigação de comunicar crimes à Polícia
Federal e de remover imediatamente os conteúdos criminosos sem necessidade de
ordem judicial”, disse Lula. “Estamos dizendo não à adultização precoce
de nossas crianças. A infância é para ser vivida em sua plenitude e não
sequestrada pelas telas”, disse o presidente.
Durante o discurso, o presidente também fez alusão a
conservadores que criticam a regulamentação das redes. “Tem gente que se
diz a favor da família, mas decide que a internet seja uma terra sem lei, com
nossas crianças e adolescentes expostos a todo tipo de perigo”, afirmou.
O Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação lançou ainda
uma linha de fomento para pesquisa e desenvolvimento de soluções em
Inteligência Artificial no valor de R$ 100 milhões. A ideia é que sejam
criadas tecnologias para prevenir e detectar ameaças a crianças e
adolescentes na internet, auxiliando os órgãos de segurança.
Lula destacou ainda a mobilização da sociedade civil
para pressionar pela aprovação da lei no Congresso. “A mesma sociedade
civil que teve competência de puxar esse debate, de fazer com que a gente fosse
capaz de fazer a melhor lei e a melhor regulamentação, precisa continuar
trabalhando, orientando, fiscalizando o governo e denunciando as coisas
erradas, porque, sem a sociedade civil, só a lei não vai resolver.”
Motta citou o vídeo do influenciador Felipe Bressanim, o
Felca, que chamou a atenção da opinião pública para o problema. O parlamentar
também ressaltou que o Congresso lidou com o tema de maneira célere.
“Cada vez mais, eles (crianças e adolescentes) estavam com
acesso irrestrito a conteúdos que não foram pensados para suas idades. E, pior,
em muitos casos foram sordidamente elaborados para vitimá-los”, disse.
Durante sua fala, Motta afirmou que a saúde mental e a
segurança de crianças e adolescentes estão em jogo. E que “as plataformas devem
acatar as obrigações impostas, e a família e a escola devem estar preparadas
para fazer sua parte e aprender a dialogar com esse novo mundo.’
Aferição de idade
A lei do ECA Digital determina que haja verificação de idade
para que crianças e adolescentes acessem determinadas plataformas. O mecanismo
deve substituir a autodeclaração que ocorria até então, quando os usuários
apenas clicavam em um botão afirmando ter mais de 18 anos. O decreto assinado
por Lula nesta tarde determina que a ANPD será responsável por emitir
diretrizes a respeito de quais os mecanismos confiáveis para fazer essa
aferição etária.
Como o Estadão mostrou, a ANPD estuda fazer uma espécie de
manual com critérios mínimos a serem exigidos das ferramentas de verificação de
idade. Entre eles estão acurácia; não discriminação, garantindo que levem em
conta a diversidade étnica da população; e transparência.
JP

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