Essa foi a primeira redução em quase dois anos; Comitê disse
que decisão é compatível com a ‘estratégia de convergência da inflação para o
redor da meta ao longo do horizonte relevante’
O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC)
reduziu em 0,25% ponto a taxa de juro, que ficou em 14,75%, em meio
à guerra no Oriente Médio. Esse é o primeiro corte em quase dois anos,
que estava, desde junho de 2025, estagnada em 15%.
Em comunicado, o Copom explica que “a decisão é compatível
com a estratégia de convergência da inflação para o redor da meta ao longo do
horizonte relevante”, e acrescenta que “no cenário atual, caracterizado por
forte aumento da incerteza, o Comitê reafirma serenidade e cautela na condução
da política monetária”.
A segunda reunião do ano foi realizada entre terça-feira (17) e quarta-feira (18), em meio ao aumento no preço dos combustíveis com o desenrolar da guerra no Oriente Médio.
A expectativa antes do começo da guerra no Irã, iniciada no
dia 29 de fevereiro, era de que houvesse uma queda de 0,5 ponto. Na ata da
reunião de janeiro, o Copom confirmou que pretendia começar a cortar a Selic
ainda em março. No entanto, o início do conflito entre Estados Unidos, Israel e
Irã colocou em dúvida o tamanho do corte, com algumas instituições
financeiras chegando a apostar no adiamento da redução dos juros.
Segundo a edição mais recente do boletim Focus, pesquisa
semanal que ouve analistas do mercado financeiro, a taxa básica seria
reduzida em 0,25 ponto percentual, para 14,75% ao ano. Antes do início
do conflito, a expectativa estava num corte de 0,5 ponto.
Até a deliberação desta quarta-feira, a taxa Selic
estava em 15%, seu maior nível desde julho de 2006, quando era de 15,25% ao
ano. De setembro de 2024 a junho de 2025, a taxa foi elevada sete vezes
seguidas, mas não tinha sido alterada desde as quatro últimas reuniões.
Taxa Selic
A taxa básica de juros é usada nas negociações de
títulos públicos emitidos pelo Tesouro Nacional no Sistema Especial de
Liquidação e Custódia (Selic) e serve de referência para as demais taxas da
economia. Ela é o principal instrumento do Banco Central para manter a inflação
sob controle.
O BC atua diariamente por meio de operações de mercado
aberto – comprando e vendendo títulos públicos federais – para manter a taxa de
juros próxima do valor definido na reunião.
Quando o Copom aumenta a taxa básica de juros, pretende
conter a demanda aquecida, e isso causa reflexos nos preços porque os juros
mais altos encarecem o crédito e estimulam a poupança.
Desse modo, taxas de juros mais altas também podem
dificultar a expansão da economia. Mas, além da Selic, os bancos
consideram outros fatores na hora de definir os juros cobrados dos
consumidores, como risco de inadimplência, lucro e despesas administrativas.
Ao reduzir a Selic, a tendência é de que o crédito
fique mais barato, com incentivo à produção e ao consumo, afrouxando o
controle da inflação e estimulando a atividade econômica.
O Copom reúne-se a cada 45 dias. No primeiro dia
do encontro, são feitas apresentações técnicas sobre a evolução e as
perspectivas das economias brasileira e mundial e o comportamento do mercado
financeiro. No segundo dia, os membros do Copom, formado pela diretoria do BC,
analisam as possibilidades e definem a Selic.
JP

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