Promotoria inicialmente não havia solicitado a medida;
após nova comunicação da polícia sobre outro caso envolvendo o menor de idade,
órgão pediu à Justiça a internação provisória
Após não considerar a medida, o Ministério Público do Rio de
Janeiro (MPRJ) voltou atrás e pediu à Justiça a internação provisória do
adolescente de 17 anos investigado no caso de estupro coletivo de uma jovem de
17 anos em Copacabana, na Zona Sul do Rio. A solicitação foi feita após o
delegado Ângelo Lages, da 12ª DP (Copacabana), comunicar ao órgão o surgimento
de uma segunda vítima que também atribui ao menor participação em um episódio
de violência sexual.
Na primeira manifestação enviada à Vara da Infância e
Juventude da Capital, a 1ª Promotoria de Justiça da Infância e da Juventude
Infracional representou contra o adolescente por ato infracional análogo ao
crime investigado, mas não solicitou sua internação provisória — medida
equivalente à prisão no sistema socioeducativo. Sem o pedido do Ministério
Público, a Justiça não poderia decretar a apreensão de ofício.
A posição inicial do órgão havia sido informada na
quarta-feira, quando veio a público que quatro homens maiores de idade haviam
sido denunciados pelo estupro coletivo ocorrido no dia 31 de janeiro, em um
apartamento na Rua Ministro Viveiros de Castro, em Copacabana.
Nova vítima
A mudança ocorreu após a Polícia Civil comunicar ao MPRJ a
existência de uma segunda investigação envolvendo o mesmo adolescente e ao
menos um dos adultos já indiciados no primeiro caso. Segundo os investigadores,
o menor teria desempenhado papel central nos dois episódios.
A segunda vítima que procurou a polícia relatou ter sofrido
o abuso em agosto de 2023. Na época, ela tinha 14 anos. Em depoimento à
polícia, a mãe da jovem contou que o crime foi cometido por três homens, sendo
dois deles já identificados no caso de Copacabana: o menor de idade e Mattheus
Martins, de 19 anos. De acordo com o relato, a menina foi atraída para uma
emboscada, assim como a outra vítima. Ela foi convidada para ir até a casa do
menor e, ao chegar lá, tinha três pessoas na casa.
— A vítima relata o mesmo modus operandi. Ela já tinha
ficado com o menor, confiava nele e ele a atraiu para o imóvel, que era do
Mattheus — detalha Lages.
Em depoimento, ela contou que foi para o quarto com o menor
e os outros dois homens ficaram na sala. Enquanto ela estava beijando o
adolescente, os outros homens batiam na porta. De acordo com o documento da
polícia, o menor perguntou à vítima se os amigos podiam entrar e alegou que um
deles pagaria o carro de aplicativo para ela voltar para casa depois, com o
objetivo de coagi-la a abrir a porta. Depois disso, o menor teria tirado a
roupa da vítima "contra sua vontade" e iniciado o abuso.
O relato da jovem afirma que os demais homens abaixaram a
calça e que Matheus teria dado um tapa no rosto da vítima e ordenado que ela
fizesse sexo oral. Ela ainda afirmou que integrantes do grupo bateram em seu
rosto e deram socos em suas costelas enquanto cometiam o estupro. Ela contou
que o episódio durou cerca de 1h30.
No depoimento, ela contou que chorou bastante durante todo o
ocorrido e que os três "riam do que faziam".
A Polícia Civil sustenta que o episódio apresenta o mesmo
modus operandi do caso investigado em Copacabana, incluindo a forma como as
vítimas teriam sido atraídas para o encontro. Para os investigadores, os
elementos reunidos reforçaram a necessidade de uma nova análise sobre a
situação do adolescente.
Extra Rio

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