O presidente do INSS lembrou que o vídeo de Nikolas sobre as fraudes no INSS tinha informações falsas. Antonio Cruz/Agência Brasil
Gilberto Waller também afirmou
que, ‘para tranquilizar os brasileiros’ o governo precisou comunicar 27 milhões
de aposentados e pensionistas de que não havia descontos associativos
O presidente do Instituto
Nacional do Seguro Social (INSS), Gilberto Waller
Júnior, demonstrou preocupação com a desinformação sobre fraudes em
benefícios previdenciários de aposentados e pensionistas. Ele comentou sobre a
possibilidade de o deputado Nikolas Ferreira (PL-MG)
ser escolhido relator da CPMI que investiga os descontos indevidos no fundo: “A
nossa população precisa de informação”. Em entrevista ao portal UOL, nesta
quarta-feira, 2, o presidente do INSS lembrou que o vídeo de Nikolas sobre as
fraudes no INSS tinha informações falsas e gerou preocupação em muitos
aposentados e pensionistas.
“Uma das críticas que eu tenho foi confundir
num vídeo que ele [Nikolas] fez a questão dos empréstimos consignados com
descontos associativos, dizendo que essa questão do desconto associativo gerou
um prejuízo de 90 bilhões de reais. Isso é uma informação falsa”, diz Waller. O
presidente justifica “se a ideia for informar, se for transparente, se for
colocar limpo, seja quem for, será bem-vindo”. Ele ainda reforça: “o que a
gente não pode ter é, na verdade, a desinformação, é gerar pânico, gerar
ansiedade. Muitos dos nossos brasileiros ficaram preocupados com o desconto
associativo pela desinformação, achando que todo e qualquer desconto era
fraudado, que a sua conta era fraudada”.
Waller também afirmou que, “para
tranquilizar os brasileiros” o governo precisou comunicar 27 milhões de
aposentados e pensionistas de que não haviam descontos associativos, e avisando
que não precisariam contratar advogado. “Eu amo a transparência, a transparência
verdadeira, a transparência que venha trazer esclarecimento para a população.
Se esse for o objeto, eu acho ótimo, o que não pode ser feito é desinformação,
é uma situação de trazer o espetáculo”, diz o presidente.
Governo respondeu ao vídeo de
Nikolas
Integrantes do governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT)
e aliados usaram as redes sociais para responder ao vídeo de Nikolas Ferreira
(PL-MG) sobre o escândalo dos desvios no INSS. Publicada no dia 6 de maio, a
gravação do deputado repete o mesmo modelo usado no vídeo viral de janeiro
sobre as mudanças no Pix, e acumulou mais de 134 milhões de visualizações.
Na gravação de pouco mais de seis
minutos, Nikolas (com filtro para deixar a aparência envelhecida) afirma que o
esquema fraudulento é o “maior escândalo da história do Brasil”, faz acusações
sobre o governo Lula não ter tomado medidas para apurar os desvios bilionários,
e defende o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL)
– cujo governo também foi atravessado por fraudes no INSS.
Enquanto a ministra das Relações
Institucionais, Gleisi
Hoffmann, o ministro da Advocacia-Geral da União (AGU), Jorge Messias,
e o chefe da Controladoria-Geral da União (CGU), Vinícius Carvalho, rebateram
as acusações do deputado bolsonarista sem o citar nominalmente, o deputado
federal Lindbergh
Farias (PT-RJ) usou o próprio vídeo de Nikolas como fundo para
contestar as afirmações do parlamentar.

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