O ministro, que também é o relator da denúncia do golpe e do inquérito das milícias digitais, assumiu a condução do caso por prevenção. Antonio Augusto/STF
O ministro do STF considerou
necessário prorrogar o período de investigação para que os policiais possam
concluir diligências pendentes; o deputado federal licenciado diz estar exilado
nos EUA desde março
O ministro Alexandre de Moraes,
do Supremo Tribunal Federal (STF),
acolheu pedido da Polícia Federal para prorrogar o inquérito que investiga o
deputado federal licenciado Eduardo Bolsonaro (PL),
que, desde março de 2025, diz estar exilado nos Estados Unidos.
Moraes considerou necessário prorrogar o período de investigação para que os
policiais possam concluir diligências pendentes.
Em maio, o procurador-geral da
República, Paulo Gonet
Branco, apresentou um pedido ao STF para que o deputado passe a ser
investigado por ameaças – via redes sociais -, de provocação ao governo
americano para punir autoridades brasileiras que atuam na ação penal contra o
ex-presidente Jair Bolsonaro por tentativa de golpe de Estado.
“Verifica-se uma escalada de
reportagens que noticiam que o parlamentar licenciado estaria em contato
assíduo com interlocutores do governo americano, com o objetivo de conseguir a
imposição de retaliações a autoridades públicas brasileiras, que estão
relacionadas com a denúncia oferecida contra o seu pai e com as investigações
que nela desembocaram, bem como com outras em curso”, afirmou Gonet.
O ministro, que também é o
relator da denúncia do golpe e do inquérito das milícias digitais, assumiu a
condução do caso por prevenção e determinou a abertura de um inquérito para
investigar Eduardo Bolsonaro. Segundo os autos, a PF recebeu os depoimentos de Eduardo Bolsonaro e
do líder da bancada do PT na Câmara, Lindbergh Farias, autor de representação
que denuncia os movimentos do filho do ex-presidente nos EUA. Também foi ouvido
o ex-presidente, que declarou ter enviado um Pix de R$ 2 milhões para o filho.
“Minha qualidade de vida
melhorou. Mas continuo indo com muita frequência a Washington e Miami para
fazer essas tratativas, porque minha missão prioritária aqui é sancionar o
Alexandre de Moraes”, declarou Eduardo Bolsonaro em um vídeo.
Nesta segunda-feira (7), o
presidente Donald
Trump utilizou sua conta no X para criticar o julgamento de
Bolsonaro pelo Supremo “Estarei assistindo muito de perto à caça às bruxas de
Jair Bolsonaro, sua família e milhares de seus apoiadores”, afirmou Trump. Em
resposta, o presidente Luiz
Inácio Lula da Silva declarou que o Brasil é um país soberano e
que não vai se submeter a interferências estrangeiras.
Moraes é alvo de ação nos Estados
Unidos, movida pelas empresas Rumble e Trump Media. Elas alegam que o ministro
teria desrespeitado leis americanas e promovido censura de plataformas
digitais. A Justiça dos EUA convocou o ministro a depor. Em nota, a
Advocacia-Geral da União (AGU)
afirmou que está acompanhando o processo.
O acompanhamento se dá a pedido
da Corte Constitucional. Estão sendo preparadas minutas de intervenção
processual em nome do Brasil, caso seja decidido que a AGU atuará no caso. Até
o momento, não há decisão do Tribunal Federal do Distrito Médio da Flórida,
onde tramita a ação sobre Moraes, determinando intimação do ministro do STF.
JP

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