![]() |
Sadaf Khadem
posa no vestiário após vencer a luta contra a boxeadora
francesa Anne Chauvin, em um combate oficial
de boxe em Royan,
França, em
13 de abril — Foto: Reuters/Stephane Mahe
|
Sadaf Khadem
se tornou a primeira iraniana a participar de uma competição oficial de boxe e
saiu vencedora. No entanto, as autoridades de Teerã emitiram um mandado de prisão
contra a esportista e seu treinador franco-iraniano depois dela se apresentar
num torneio.
Sadaf Khadem já
entrou para a história do esporte. Ela se tornou a primeira iraniana a
participar de uma competição oficial de boxe e saiu vencedora. No entanto, as
autoridades de Teerã emitiram um mandado de prisão contra a esportista e seu
treinador franco-iraniano depois dela se apresentar num torneio.
Diante de 1.500
espectadores, usando um short e uma camiseta com o nome e as cores da bandeira do
Irã, Sadaf superou na final a francesa Anne Chauvin e ficou com o título de
campeã de uma competição disputada no dia 13 de abril na França. Nem todos
festejaram essa conquista. O problema é que o boxe feminino não é oficialmente
reconhecido no Irã.
Sadaf luta há
três anos em clubes clandestinos no território iraniano, à margem de sua
atividade profissional. Em entrevista à RFI, a boxeadora lamenta a posição das
autoridades esportivas de seu país.
"A
Federação Iraniana de Boxe [Aiba] ainda não autorizou o boxe feminino. A Aiba
deve aprovar as roupas propostas para as competições pelo Irã, uniformes que
sejam conformes ao Islã. As boxeadoras iranianas têm muito talento, levam jeito
e espero que este combate ajude a promover o boxe feminino no Irã", explicou.
O presidente da
Aiba, Hossein Soori, informou que a boxeadora não faz parte das atletas
afiliadas à instituição e, por isso, suas atividades são de caráter privado.
Ele considera as lutas de Sadaf meras "exibições".
A boxeadora
iraniana e seu treinador, Mahyar Monshipour, decidiram não voltar ao Irã depois
da luta por serem alvos de um mandado de prisão. Os dois deveriam ter retornado
ao Irã na última terça-feira, mas não pegaram o avião e continuam na França,
alojados na cidade de Poitiers, a 340 km ao sul de Paris.
Treinador
recebe aviso sobre mandado de prisão no celular
Sadaf é
professora de fitness em Teerã e seu treinador, que tem a dupla nacionalidade,
francesa e iraniana, tinha previsto acompanhá-la. Monshipour, de 44 anos, mora
em Poitiers, mas tinha previsão de viajar para a cidade de Bam, no sul do Irã,
onde fundou uma escola de boxe.
Campeão mundial
por seis vezes no peso super leve entre 2003 e 2006, o treinador organizou a
luta na qual Sadaf demonstrou seu talento. Ele disse ter sido informado na
sequência, por meio de mensagens em seu celular, do mandado de prisão no Irã.
No entanto, o treinador não quis revelar quem foi o emissor da mensagem.
Por meio de um
comunicado do Ministério dos Esportes e da Juventude do Irã, a Aiba desmentiu
qualquer sanção contra a dupla. A Autoridade Judiciária, encarregada da emissão
de mandados de prisão, não se pronunciou.
Mas Sadaf, de
24 anos, seria acusada de infringir a lei da República Islâmica que impõe a
todas as esportistas o uso do "hijab", o véu islâmico sobre a cabeça,
até no exterior. Seu treinador é suspeito de cumplicidade no caso.
Ele disse que a
ideia de organizar a luta para Sadaf na França surgiu depois que o Comitê
Olímpico Internacional (COI) obrigou todos os países que ainda resistem a
tornar os esportes mistos, sob pena de excluir das competições as equipes
masculinas.
Monshipour
qualificou a presença de Sadaf em uma competição oficial como algo
"histórico". Pela primeira vez, segundo ele, o combate de uma
iraniana foi validado e registrado por três juízes de uma federação nacional.
A boxeadora
comemorou sua conquista e, depois de vencer a luta, desabafou: "Foi um
evento importante, eu me dou conta agora e me sinto aliviada". Ela afirma
ter sentido no ringue o apoio de seus compatriotas. "Senão, não poderia
ter lutado como lutei", revelou à RFI.
Modelo para
jovens iranianos
Antes desse
combate histórico, Sadaf já era conhecida no Irã, onde dava muitos autógrafos
para crianças e adolescentes nas ruas e centros esportivos. Agora, ela é vista
como um símbolo de coragem e força de vontade.
O boxe feminino
não é organizado no Irã, mas existe um projeto de criação de uma seção feminina
na própria federação. As iranianas podem participar de outros esportes de
combate, como judô, tae-kwondo, karaté ou kung-fu. Com sua conquista, Sadaf
espera que as coisas mudem no seu país.
"Sonhei
com este combate durante muito tempo e esforcei-me muito por ele. Espero que a
minha iniciativa abra as portas deste esporte para as mulheres iranianas. Para
mim, não é importante ser a 'primeira', mas poder continuar nesse
caminho", afirmou.
Na França, a
ministra dos Esportes, Roxana Maracineanu, disse que a luta de Sadaf foi muito
bonita e simbólica para os direitos das mulheres. Ela lembrou que a iraniana
teve seu visto para vir ao país e participou do torneio de acordo com as leis
da República Francesa. Sobre o futuro da iraniana e de seu técnico, a ministra
disse que irá acompanhar de perto o caso.
Por RFI

0 comentários:
Postar um comentário
Obrigado pelo seu comentario.
Fique sempre ligado do que acontece em nossa cidade!