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© Ernesto
Rodrigues/ ESTADÃO Vélez durante solenidade
de transmissão de cargo do Ministério da
Educação
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O ministro da Educação, Ricardo
Vélez Rodríguez, disse que haverá mudanças em livros didáticos para
revisar a maneira como são retratados nas escolas o golpe de Estado que retirou
o presidente João Goulart do poder, em 1964, e o regime
militar que o seguiu. A declaração ocorreu em uma entrevista do ministro
ao Valor Econômico, publicada na tarde desta quarta-feira, 3.
Segundo o
jornal, Vélez diz acreditar que a mudança de regime, há 55 anos, não foi um
golpe, e sim uma "mudança de tipo institucional". Além disso, teria
dito que o período que seguiu a posse do general Castello Branco não seria
ditadura, e sim um "regime democrático de força". A tese é refutada
por historiadores que estudaram o período.
Vélez disse,
segundo o Valor, que as mudanças em livros didáticos seriam "progressivas",
e devem ocorrer "na medida em que seja resgatada uma versão mais ampla da
história". Ele ainda teria dito que o papel do Ministério da Educação (MEC)
é "regular a distribuição do livro didático e preparar o livro didático de
tal forma que as crianças possam ter a ideia verídica, real, do que foi a sua
história".
Contatado para
comentar as declarações do ministro, o MEC não respondeu à reportagem. A
notícia repercutiu mal entre representantes de editoras e autores de livros
didáticos.
O presidente da
Associação Brasileira dos Autores de Livros Educativos (Abrale), Cândido
Grangeiro, ressaltou que todos e qualquer livro didático deve, por regra, ser
baseado em ampla consulta acadêmica, e não por opiniões.
"O que
sempre deve nos guiar é o rigor acadêmico na produção dos materiais didáticos,
para que os alunos tenham acesso a conteúdo pautado em pesquisa", disse
Grangeiro. "A Abrali é contra qualquer tipo de revisionismo que seja
baseado em opiniões."

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