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| Mas o que eu queria mesmo é que Tarso explicasse seus critérios para deportar dois homens sobre os quais nunca pesou nenhuma suspeita de crime. |
No jargão
jornalístico, ele tentou "arredondar" a declaração desastrada
anterior.
Em entrevista
ao G1, Tarso disse que teria extraditado Battisti se ele tivesse confessado os
assassinatos à época da decisão sobre o asilo. E numa rara concessão ao bom
senso, dessa vez o ex-ministro de Lula reconheceu que criminosos não costumam
confessar os crimes de que são acusados:
"No nosso
caso concreto, nós confiamos na palavra dele para dar o refúgio. É uma norma de
princípios do direito penal, seja internacional ou interno: a pessoa não é
obrigada a se acusar. Evidentemente, ninguém se acusa"
Claro que
poderíamos perguntar retoricamente a Tarso Genro se ele também se fiou na
palavra de outros assassinos, de estupradores, de traficantes de drogas e armas
cujos processos de extradição passaram pelo ministério da Justiça em sua
gestão.
Mas o que eu
queria mesmo é que Tarso explicasse seus critérios para deportar dois homens
sobre os quais nunca pesou nenhuma suspeita de crime.
Em 2007, os
pugilistas cubanos Gillermo Rigondeaux e Erislandy Lara decidiram desertar da
delegação cubana durante o Pan-Americano do Rio. A história do esporte olímpico
está repleta de casos de atletas que se valem de competições internacionais
para escapar de regimes ditatoriais. Quando as defecções acontecem em países
democráticos, a regra é, invariavelmente, a concessão de asilo aos atletas.
Mas no
democrático Brasil de Lula, as coisas foram diferentes. Rigondeaux e Lara foram
localizados em um hotel na cidade de Araruama, Região dos Lagos, e deportados
em tempo recorde.
O então
delegado da PF Felício Laterça, responsável pela execução da deportação
justificou a rapidez: Lara e Rigondeaux estavam sem documentos, vejam só.
Laterça, hoje
deputado federal pelo PSL, fez um favor ao chefe e o poupou de ser confrontado
com uma verdade nada ficta: o único crime dos atletas cubanos era o de não
querer viver em uma ditadura.
No retorno
forçado para Cuba, Guilhermo Rigondeaux e Erislandy Lara foram proibidos por
Fidel Castro de voltar a lutar pelo país.
Em 2008, Lara
fugiu de Cuba para o México numa lancha. De lá seguiu para a Alemanha onde
conseguiu asilo.
Em 2009, foi a
vez de Rigondeaux seguir para o México e de lá para Miami, onde se refugiou.
Os dois se
tornaram campeões mundiais em suas respectivas categorias.
Texto
de Erick Bretas

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