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© picture-alliance/AP Photot/F.
Vergara
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Candidato
uribista venceu no segundo turno com promessa de alterar o acordo de paz
assinado com as Farc em 2016. Duque obteve 54% dos votos, frente a 42% de seu
oponente de esquerda Gustavo Petro.
O candidato
direitista Iván Duque foi eleito neste domingo (17/06) o novo presidente da
Colômbia, com 53,98% dos votos, frente a 41,81% obtidos por seu oponente de
esquerda, Gustavo Petro. Duque chega à presidência do país com o partido de
direita conservadora Centro Democrático, liderado pelo ex-presidente Álvaro
Uribe.
As eleições foram
as primeiras no país desde a assinatura do acordo de paz com os guerrilheiros
das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc), em 2016, pacto que
encerrou o mais longo conflito armado da América Latina.
Em seu discurso
de vitória, Duque declarou querer construir consensos e unir o país, após uma
campanha eleitoral polarizada, e prometeu "correções" no acordo de
paz histórico que permitiu desarmar as Farc e transformar a ex-guerrilha em
partido político. As vítimas do conflito devem estar no centro de qualquer
alteração, afirmou.
Aos 41 anos,
Duque se tornará o presidente mais jovem da Colômbia quando assumir o cargo, no
dia 7 de agosto. Será também a primeira vez que o país terá uma mulher na
vice-presidência, a conservadora Marta Lucía Ramírez.
Além das
mudanças no acordo de paz, o novo presidente tem na agenda também o combate ao
narcotráfico. A produção de cocaína na Colômbia aumentou, e grupos armados
estão disputando rotas de tráfico antes controladas pelas Farc.
Em seu discurso
de vitória, Duque afirmou que um presidente não faz milagres, mas prometeu
trabalhar com comerciantes, sindicalistas, empresários, juízes, indígenas e
afrocolombianos para buscar "a transformação da Colômbia em um país
próspero".
O rival Gustavo
Petro concedeu a derrota, mas disse que ter conquistado 8 milhões de votos –
frente aos 10 milhões de Duque – em um país conservador foi um grande feito.
"Que derrota? Oito milhões de colombianas e colombianos livres, de pé.
Aqui não existe derrota. Por enquanto não seremos governo", escreveu
Petro, do movimento Colômbia Humana, no Twitter.
"Aceitamos
a vitória dele, é o presidente da República da Colômbia. Não vamos pedir
ministérios, nem embaixadas. Hoje, somos oposição a esse governo que vai ser
formado", disse o candidato derrotado em discurso a apoiadores.
Em referência a
Uribe, padrinho político de Duque, Petro pediu que o novo presidente
"rompa com as forças mais anacrônicas" da política do país.
Farc oferece
diálogo
A Força
Alternativa Revolucionária do Comum (Farc), o partido político surgido após a
desmobilização da guerrilha, se ofereceu para dialogar com o presidente eleito
e comemorou que as eleições tenham decorrido em "ausência de fatos
violentos, um fato sem precedentes na história do país".
"A Farc
expressa sua disposição de se reunir com o presidente eleito para expôr seus
pontos de vista sobre a implementação do acordo de paz", anunciou o líder
do partido, Rodrigo Londoño.
Conhecido como
"Timochenko" na sua época de combatente, Londoño lembrou que se o
novo presidente não implementar os acordos "a única coisa que vai
conseguir será levar o país a um novo ciclo de múltiplas violências ".
Também destacou
que houve um "aumento significativo de eleitores", já que a
participação rompeu a barreira do abstencionismo, com 53% de comparecimento às
urnas, um marco pouco habitual no país.
De Washington
para Bogotá
O presidente
eleito Iván Duque passou a maior parte de sua carreira nos Estados Unidos.
Estudou em Harvard e trabalhou no Banco Interameticano de Desenvolvimento, em
Washington. Ele foi escolhido para um assento no senado em 2014 pelo
ex-presidente e atual senador Alvaro Uribe, forte oponente do acordo de paz.
Após votar
neste domingo, Uribe disse que Duque era a melhor garantia de que a Colômbia
não se tornaria uma vítima do "socialismo destrutivo", fazendo
referência à crise da vizinha Venezuela.
Além do
influente padrinho político, o presidente eleito também recebeu apoio da
extrema direita e dos evangélicos na Colômbia. Duque é um conservador contrário
ao casamento entre pessoas do mesmo sexo, à eutanásia e à descriminalização das
drogas.
Guinada em
relação a Santos
As ideias de
Duque se opõem em vários aspectos às do presidente cessante, Juan Manuel
Santos. Além das alterações no acordo com as Farc, Duque também diverge de
Santos quanto às condições para o diálogo com o Exército de Libertação Nacional
(ELN), a última das cerca de 30 guerrilhas que atuaram na Colômbia.
Ao longo da
campanha, Santos não havia manifestado apoio a nenhum dos candidatos, a quem
qualificou como "opositores" de seu governo. Mesmo assim, como havia
prometido, telefonou para Duque uma hora depois de se confirmar sua vitória e
lhe ofereceu "toda a colaboração do governo para fazer uma transição
ordenada e tranquila".
Santos se
despede da presidência da Colômbia com uma taxa de aprovação abaixo de 20%,
apesar de um prêmio Nobel da Paz e do recente ingresso do país na Organização
para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE).

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