
Pastor
Tupirani da Hora, da Geração Jesus Cristo, foi primeiro preso do Brasil por
intolerância religiosa. Episódio entre guardas e fiéis terminou com 12 pessoas feridas.
Os guardas
municipais que se envolveram em uma confusão
com integrantes da Igreja Pentecostal Geração Jesus foram
afastados da corporação nesta quinta-feira (26). Em entrevista ao RJTV, a chefe
da Guarda Municipal, Tatiana Mendes, afirmou que a conduta dos agentes não pode
ser admitida.
“Nós
identificamos os guardas e já afastamos eles da rua porque jamais podemos
admitir uma conduta exacerbada. Nós temos que ter o uso moderado quando assim
for necessário. Este grupamento especial de praia diariamente é treinado com
defesa pessoal. O guarda tem que ter equilíbrio porque muitas vezes, na
situação de conflito, ele pode ser levado a ter uma conduta irregular. Por
isso, é importante a moderação”, disse Tatiana Mendes.
O episódio
entre os guardas e um grupo de 40 seguidores da congregação terminou com 12
pessoas da igreja feridas, uma delas em estado grave. As agressões aconteceram
em frente à 13ª DP (Copacabana) no fim da noite de quarta-feira (25). Os fiéis
foram levados para a delegacia sob a acusação de crime ambiental, após terem
pichado muros de acordo com os guardas.
A Polícia Civil
informou que houve flagrante de pichação.
Pastor foi
primeiro preso no Brasil por intolerância religiosa
Fundador e
líder da Igreja Pentecostal Geração Jesus Cristo, Tupirani da Hora Lores foi o
primeiro preso no país por intolerância religiosa. Em
junho de 2009, Tupirani e o seguidor Afonso Henrique Alves Lobato foram pegos pela
Delegacia de Repressão aos Crimes de Informática, que cumpriram mandado
expedido pela juíza Maria Elisa Peixoto Lubanco, da 20ª Vara Criminal.
A dupla foi
condenada à pena de 3 anos de reclusão, em regime aberto, e ao pagamento de 36
dias-multa.
Em março de
2009, com o consentimento de Tupirani, Afonso Henrique divulgou na internet
vídeo em que faz ofensas às religiões afro-brasileiras, às polícias Civil e
Militar e à imprensa. No mesmo vídeo, Afonso Henrique diz que todo pai de santo
é homossexual.
Consta dos
autos que "Lores publicou na internet vídeos e postagens que ofendiam
autoridades públicas e seguidores de crenças religiosas diversas – católica,
judaica, islâmica, espírita, wicca, umbandista e outras –, pregando inclusive o
fim de algumas delas e imputando fatos ofensivos aos seus devotos e
sacerdotes".
O
Tribunal do Rio de Janeiro manteve a condenação da primeira instância,
reduzindo apenas a quantidade de dias-multa inicialmente imposta. Após decisão
do Superior Tribunal de Justiça, que rejeitou habeas corpus lá impetrado, a
defesa apresentou recurso ao Supremo pedindo o trancamento da ação "por
atipicidade da conduta".
O processo na
Justiça se arrasta até hoje. Em março deste ano, os ministros da Segunda Turma
do Supremo Tribunal Federal, por maioria, negaram pedido da defesa de Tupirani
para trancamento de ação penal.
Agressões
físicas também
O jovem e
outros três seguidores da Igreja Geração Jesus Cristo invadiram
e depredaram, em junho de 2008, o Centro Espírita Cruz de Oxalá, no Catete.
Os quatro foram presos e condenados a pagar cestas básicas.
Na ocasião,
Tupirani condenou o incidente. "Fiquei muito surpreso. Eles não deviam ter
feito o que fizeram, não incentivamos esse tipo de atitude”, disse, assegurando
que os quatro integrantes são “exemplos dentro da igreja”.
Segundo os
advogados do pastor da Igreja Pentecostal Geração Jesus Cristo, ‘a condenação
ideológica de outras crenças é inerente à prática religiosa’. Segundo a defesa,
as manifestações de Tupirani da Hora Lores são ‘exercício de uma garantia
constitucionalmente assegurada’.
Por G1 Rio
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