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© Rafael
Arbex/Estadão Vacina contra a febre amarela. Longas
filas se formaram na UBS do Horto Florestal,
na zona norte de
São Paulo,
nesta quarta
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SÃO PAULO -
Três em cada quatro casos confirmados de febre amarela no Estado
de São Paulo ocorreram em cidades consideradas pelo Ministério da
Saúde sem risco para a doença. Boletim epidemiológico mais recente da
Secretaria Estadual da Saúde paulista mostra que dos 40 registros da doença
confirmados entre janeiro de 2017 até agora, 31 aconteceram em áreas sem
recomendação permanente de vacina.
São definidas
como regiões com recomendação aquelas em que há risco de circulação do vírus.
Nesses casos, devem se vacinar todos os moradores e viajantes que planejam
visitar esses locais. Desde 2000, 445 dos 645 municípios paulistas, todos no
interior, estão nesse grupo. As áreas mais populosas do Estado, no entanto,
como as regiões metropolitanas de Campinas e de São Paulo, não estavam nessa
lista, mas foram as que registraram o maior número de casos no recente avanço
da doença. Na terça-feira, 16, a Organização Mundial da Saúde (OMS) recomendou
que todo o Estado seja considerado de risco.
Foram também
nas regiões sem recomendação de vacina em que o Estado registrou, já há quatro
meses, o aumento expressivo de casos de macacos mortos pela doença, dado que já
indicava o avanço do vírus para áreas antes consideradas livres dele. O número
de animais doentes, que entre julho de 2016 e junho de 2017 foi de 187, saltou
para 508 no mesmo período de 2017/2018.
“O que tem acontecido, já desde 2003, é um
deslocamento da febre amarela cada vez mais à direita no mapa, cada vez mais
perto do litoral. Então acho que, de um modo geral, o Brasil deu uma cochilada (na
expansão da vacinação para outras áreas)”, comenta Celso Granato, professor
de Infectologia da Unifesp.
Pedro Luiz
Tauil, do Núcleo de Medicina Tropical da Universidade de Brasília (UnB), lembra
que ainda não se sabe por que a expansão da doença vem ocorrendo da forma como
está e diz que as campanhas de vacinação estão se guiando por esse processo do
vírus. “A verdade é que não se sabia para que lado a epidemia ia e os governos
vão acompanhando essa expansão, cujos fatos não conhecemos todos. E ninguém vai
propor vacinação onde não havia recomendação de vacina porque não tem vacina
para todo mundo.”
Para ele, há um
problema do sistema de saúde como um todo. “Acredito que todo o País vai entrar
como área de recomendação, progressivamente. Mas é preciso ter estrutura para
fazer vacina. Nosso sistema de saúde sofre muito, não dá conta nem da parte assistencial,
quanto mais da preventiva”, afirma.
Questionada
sobre suposta falha na definição de áreas de risco, a Secretaria Estadual da
Saúde informou que, desde o ano passado, passou a oferecer a vacina em 77
municípios além dos considerados de risco. “Quem define a área de recomendação
da vacina é o Ministério da Saúde, mas nosso monitoramento tem sido constante e
é por isso que estamos promovendo vacinação em municípios sem recomendação, mas
que registraram casos de macacos mortos pela doença”, disse Regiane de Paula,
diretora do Centro de Vigilância Epidemiológica (CVE) da secretaria. 
Imunização em
São Paulo: A febre amarela é transmitida pela picada de um mosquito infectado
com o vírus.
A febre amarela
é transmitida pela picada de um mosquito infectado com o vírus.
Imunização em
São João de Meriti: Nos casos mais graves, a febre amarela pode matar. Por
isso, o médico deve ser procurado se houver os primeiros sintomas.
Nos casos mais
graves, a febre amarela pode matar. Por isso, o médico deve ser procurado se
houver os primeiros sintomas.
Bloqueio
Já o Ministério
da Saúde afirmou, em nota, que desde 2016 vem acompanhando a circulação viral
da febre, “o que permitiu realizar ações de bloqueio de vacinação em
localidades que não pertencem a áreas de recomendação permanente”, como São
Paulo. O órgão afirmou que tais decisões são tomadas em conjunto com Estados e
municípios.

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