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© MARCOS DE
PAULA/ESTADÃO Cabral, Lula e Paes durante
campanha da então candidata à Presidência,
Dilma Rousseff,
em 2010, no
Rio
|
O ex-presidente
Luiz Inácio Lula da Silva vai visitar as obras do Complexo Petroquímico do Rio
de Janeiro (Comperj), um dos principais focos de corrupção na Petrobrás
investigados pela Lava Jato, na caravana pelos Estados do Espírito Santo e Rio,
entre os dias 4 e 8 de dezembro. Dirigentes do PT, em conversas reservadas,
dizem que Lula deveria cancelar a caravana para evitar que seu nome seja
associado aos dos ex-governadores do Rio Sérgio Cabral (PMDB) e Anthony
Garotinho (PR), ambos presos por suspeitas de corrupção.
Petistas ainda
alertam para o risco de atrelamento da imagem do ex-presidente ao governador
Luiz Fernando Pezão (PMDB), que enfrenta uma crise financeira e administrativa
sem precedentes na história do Estado. O PT apoiou e participou dos três
governos. Um dirigente classificou a manutenção da caravana como “uma burrada
sem tamanho”.
Apesar dos
protestos, Lula decidiu manter a viagem, marcada desde maio. Segundo o coordenador
do evento, Márcio Macedo, um dos vice-presidentes do PT, em momento algum a
direção partidária cogitou desistir da caravana.
“Vamos mostrar
que, nos governos Lula e Dilma, o Rio viveu seus tempos áureos”, disse o
dirigente petista. De acordo com Macedo, a visita ao Comperj tem como objetivo
denunciar o abandono da obra em função da Lava Jato, em sua opinião. “A obra
tem de ser retomada”, afirmou o dirigente.
Anunciado em
2008 na esteira de euforia da descoberta do pré-sal como a mais ousada obra da
Petrobrás e uma das maiores do País, o Comperj tinha previsão inicial de custo
de US$ 8 bilhões e geração de 200 mil empregos. Passados nove anos os canteiros
estão abandonados, 27 mil pessoas ficaram desempregadas e o Tribunal de Contas
da União (TCU) estima prejuízos de R$ 544 milhões em função da corrupção.
Lava
Jato. Cabral, sua mulher, a advogada Adriana Anselmo, e outras cinco
pessoas entraram na mira da Lava Jato. Delatores da empreiteira Andrade
Gutierrez disseram que pagavam mesada que somou R$ 2,7 milhões ao
ex-governador, que chegou a ser cogitado por Lula para ser o candidato a vice
de Dilma em 2010.
O próprio
ex-presidente é alvo da operação e foi condenado pelo juiz Sérgio Moro a 9 anos
e 6 meses de prisão por corrupção passiva e lavagem de dinheiro no caso do
triplex do Guarujá. A direção do PT não admite que a visita ao Comperj seja uma
forma de contrapor o discurso da Lava Jato, mas Lula em vários discursos tem
repetido que a operação é responsável pela paralisação de obras públicas e o
consequente desemprego de milhares de pessoas.
Apesar da
contrariedade de setores do PT, Lula vai visitar dez cidades em quatro dias. É
a terceira caravana do petista neste ano. As primeiras foram pelo Nordeste e
Minas.
‘Legado’. No
caminho Lula vai visitar universidades que tiveram investimentos nos governos
petistas, obras gestadas nas administrações do partido e beneficiários de
programas sociais, mas a maioria dos eventos é de caráter popular. “Esta é uma
agenda de Lula com o povo”, disse Macedo.
No Rio, o
petista vai se reunir com intelectuais e participar de um ato em defesa da
educação na Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj), que atravessa
grave crise financeira.
Segundo o coordenador
da caravana, Lula vai destacar o legado dos governos petistas, em especial a
Copa do Mundo de 2014 e a Olimpíada de 2016, e comparar com o que chama de
paralisia do governo Michel Temer.
Ao contrário de
outras caravanas, quando Lula se encontrou até com integrantes de partidos que
votaram pelo impeachment de Dilma, não estão previstos encontros com políticos
de outras legendas.

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