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Mendonça
Filho, ministro da Educação: no radar, mudanças
no ensino médio (Valter Campanato/Agência
Brasil)
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Em entrevista a VEJA, Mendonça
Filho afirma que notas ruins são resultado de muito marketing e pouca ação
Há quatro meses na cadeira de
ministro da Educação, o pernambucano José Mendonça Bezerra Filho, 50 anos,
cumpriu nesta quinta-feira a via- crúcis de seus antecessores: vir a público
anunciar outra nota vermelha para o ensino básico. A divulgação do Ideb,
o termômetro oficial da qualidade na
sala de aula, mediu a evolução em escolas públicas e particulares entre 2013 e
2015 – ou a involução, no caso do ensino médio. Deputado federal licenciado
pelo DEM, Mendoncinha contou a VEJA o que pretende fazer em sua gestão para
reverter a curva.
O que pensou quando viu o monte
de notas vermelhas do Ideb? Frustração e vergonha. É claro que um país
com essa defasagem não conseguirá dar um salto.
Muita gente celebrou os avanços
nas primeiras séries do ciclo fundamental. O senhor não? Não. Com esse
desastre, não há o que comemorar mesmo.
Por que a educação brasileira
não sai do buraco? Na última década, as iniciativas foram mais focadas
no lado midiático e em políticas pulverizadas, que atiraram para todos os
lados. Sobrou marketing e faltou transformação social para valer.
Mas o PT criou diversos
programas voltados para os mais pobres, como o Fies e o Prouni. Esses
programas serão preservados, mas olhe o Ciência sem Fronteiras, que enviou
jovens universitários ao exterior, uma das bandeiras petistas: dragou 3 bilhões
de reais para atender 35 000 alunos — o mesmo dinheiro que custa todo o
programa de merenda escolar, que chega a 39 milhões de estudantes. Os grandes
números demolem a ideia de que o foco petista foi nos mais pobres.
A que números o senhor se
refere? Enquanto o ensino superior recebeu 30 bilhões de reais dos
cofres federais, o básico ficou com um terço disso. Faltou atenção às escolas
públicas.
Também faltou dinheiro? Mais
dinheiro sempre ajuda, mas o maior problema é usá-lo de forma apropriada. O
Ideb mostra que, infelizmente, isso não vinha acontecendo.
O que pretende mudar para
livrar o Brasil do fracasso escolar? Um ponto estratégico é
transformar o ensino médio, hoje engessado e ineficiente. Ele precisa ser mais
flexível e atraente para o aluno.
Há chances políticas de um
plano como esse, que fere tantas corporações, passar no Congresso? Acredito
nisso e estou trabalhando por isso.
O Enem acompanhará essas
mudanças? Nesta edição fica tudo igual. Mas haverá mudanças no Enem,
que serão consequência da transformação do próprio ensino médio.
Muitas escolas e até redes de
ensino não levam o Ideb em consideração. Será que agora servirá de alerta? Acho
que a educação está virando um tema para os brasileiros, que já fazem pressão
por avanços. Espero que entre de uma vez por todas na agenda dos futuros
prefeitos.

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