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A maioria
absoluta dos deputados federais já declarou que votará
pela cassação do mandato do peemedebista.
© Foto: Alex
Ferreira/Câmara dos Deputados.
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Apesar da maré desfavorável, o
ex-presidente da Câmara Eduardo Cunha (PMDB-RJ) e seus aliados continuam
articulando uma forma de aprovar em plenário uma pena alternativa à cassação do
mandato. A maioria absoluta dos deputados federais já declarou que votará pela
cassação do mandato do peemedebista, na sessão marcada para a próxima
segunda-feira, 12 de setembro. Até o início da noite de quarta-feira, 260
parlamentares declararam ao GLOBO que dirão sim à perda de mandato do
parlamentar — três a mais que os 257 necessários.
Os aliados de Cunha, porém, usam
como argumento o julgamento no Senado da ex-presidente Dilma Rousseff, que a
tirou da presidência, mas deixou-a elegível para cargos públicos. Caso a tese
do fatiamento prospere, pode haver mudança no caso de Cunha: entre os que não
definiram sua posição sobre a cassação do mandato do peemedebista. Vários dizem
que concordariam com uma pena mais branda ou com a manutenção dos direitos
políticos dele.
A votação do impeachment deu novo
ânimo aos defensores do deputado, que agora entendem que são possíveis emendas
e destaques ao relatório aprovado no Conselho de Ética. Caso esse entendimento
prevaleça, pode ser aprovada uma pena mais branda, como a suspensão do mandato
por meses ou a cassação, sem a perda dos direitos políticos por oito anos. Na
quarta-feira, Cunha passou o dia em telefonemas para deputados.
O líder do governo na Câmara,
André Moura (PSC-SE), que até pouco tempo atrás era um dos mais próximos
aliados de Cunha, disse que comparecerá à votação de segunda-feira, mas não
quer antecipar seu voto. O deputado disse que, apesar de ver “indícios” contra
Cunha, deve ser considerada a existência de “falhas regimentais” no processo.
Moura afirmou ainda que a decisão
no Senado de fatiar o julgamento de Dilma no impeachment “abre caminho” para a
construção de alternativas à cassação do mandato de Cunha:
— A decisão do fatiamento no
Senado deixa o caminho aberto a ser percorrido, não só para Eduardo, mas também
para qualquer outro. Ficou uma brecha que abre alternativas para o processo de
Eduardo. Estou pesando uma série de coisas. Temos que reconhecer que o processo
tem acertos, mas também tem erros. No Judiciário, leva-se em consideração
fatos, indícios, mas também o rito. E, regimentalmente, existem falhas na
tramitação, não resta dúvida — afirmou Moura.
Um dos parlamentares fiéis a
Cunha, Arthur Lira (PP-AL), aliado do ex-presidente da Câmara, defendeu, na
Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Casa, a votação em plenário de um
projeto de resolução — ao invés do relatório do Conselho de Ética, aprovado em
14 de junho e que recomenda a cassação do mandato. Isso abriria caminho para
salvar Cunha da perda do mandato.
Questionado sobre o resultado da
enquete, Cunha respondeu que segue trabalhando para se salvar.
— Continuo trabalhando e
acreditando na absolvição — respondeu por mensagem.
Cunha não se posicionou sobre a
defesa feita por seus aliados de uma pena alternativa ou do fatiamento da
votação para que, ao menos, mantenha seus direitos políticos.
— Nada mais a falar pelo momento —
afirmou.
Apesar da situação complicada, o
placar não é mais amplo porque Cunha mantém aliados fiéis em partidos do
centrão e no PMDB, partido ao qual é filiado. O bloco de resistência de Cunha
se concentra nos seguintes partidos: PMDB, PP, PR, PSD, PRB, PTB e SD. Só no
PMDB e no PP, cerca de 80% dos deputados não se declararam a favor da cassação.
O líder do PMDB, Baleia Rossi
(SP), preferiu não comentar o resultado da enquete. Disse que estará presente
na segunda-feira, no momento da votação, mas não quis antecipar seu voto, alegando
que não quer influenciar a bancada. Afirmou que o assunto não foi debatido
entre os peemedebistas e que não haverá orientação da liderança para esta
votação:
— A bancada é muito grande e não
debatemos isso. Cada deputado vai ser um juiz e tem que votar de acordo com sua
consciência. É uma decisão de cada deputado. Não cabe, nesse caso, trabalho da
liderança. Vou na segunda-feira, mas não tenho voto declarado porque não quero
influenciar de alguma maneira meus companheiros.
TIA ERON NÃO DECLARA VOTO
Correligionário de Cunha, Valtenir
Pereira (PMDB-MT), favorável à cassação, mostrou-se descrente com qualquer
possibilidade de Cunha escapar:
— A vida do Eduardo é uma vida
curta porque, se ele escapar da Câmara, não deve escapar do Supremo. Não acho
que vá ter essa cisão no julgamento, mas não mudaria o meu voto em função disso
— disse o deputado.
Alguns parlamentares preferiram
manter o suspense. Responsável pelo voto decisivo que levou à aprovação do
parecer pela cassação no Conselho de Ética, Tia Eron (PRB-BA) resolveu não
declarar como votará em plenário.
— Não vou declarar. Vamos seguir
com o mesmo posicionamento que tive no Conselho, de não adiantar para evitar
qualquer tipo de barganha ou de proposta — disse a deputada.

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