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Formado
pelas empreiteiras Camargo Corrêa e Queiroz Galvão,
o Estaleiro
Atlântico Sul recebeu 2,7 bilhões de reais do Fundo
da Marinha
Mercante, descobriu o TCU
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Investigação do TCU mapeou
empréstimos feitos entre 2005 e 2014 a sete estaleiros formados por empresas
investigadas na Operação Lava-Jato
Por qualquer ângulo que se
observe, a conclusão é a mesma. As empreiteiras envolvidas no petrolão mandaram
e desmandaram nos governos de Lula e Dilma Rousseff. Uma parceria em que os
dois lados ganhavam muito. Só na Petrobras, ganharam 40 bilhões de reais.
Ganharam muito também no BNDES, na Eletrobras, no Dnit… O Tribunal de Contas da
União (TCU) acaba de descobrir um novo filão. Sem nenhuma fiscalização, sem
nenhum controle, as empreiteiras que
pagavam milionários subornos a dirigentes do PT receberam mais de 5 bilhões de
reais em empréstimos do Fundo da Marinha Mercante.
O fundo é gerido pelo Ministério
dos Transportes. Os empresários que desejam obter recursos precisam conseguir
uma autorização especial da pasta. Só depois de conseguir essa autorização é
que as empresas podem apresentar proposta para captar os recursos no Banco do
Brasil, na Caixa Econômica Federal ou no BNDES. Apesar de ser capitalizado a
partir dos recursos da cobrança de impostos da navegação comercial, nos
governos do PT, o fundo passou a ser abastecido quase inteiramente por aportes
bilionários do Tesouro Nacional.
Pelo menos sete estaleiros
formados por empreiteiras investigadas na Operação Lava-Jato foram contemplados
com os empréstimos. Formado pelas empreiteiras Camargo Corrêa e Queiroz Galvão,
o Estaleiro Atlântico Sul, por exemplo, recebeu 2,7 bilhões de reais. O
Estaleiro Enseada, liderado pela Odebrecht, UTC e OAS, obteve 950 milhões de
reais. O Estaleiro CQG, integrado pela Construtora Queiroz Galvão, contraiu 731
milhões de reais. E o Estaleiro ERG2, da Engevix, outros 625 milhões de reais.
O TCU descobriu que houve ausência
completa de transparência no processo de concessão de empréstimos e falta de
controle dos recursos. Apesar de ter liberado quase 50 bilhões de reais no
período, toda a contabilidade do fundo é feita de forma amadora, a partir de
simples planilhas de Excel, “o que não fornece o grau de confiabilidade que seria
esperado para se acompanhar a aplicação de recursos financeiros de tal
magnitude”, registra o despacho assinado pelo ministro Augusto Nardes,
responsável pela fiscalização. Os técnicos perguntaram ao governo por que não
foi desenvolvido um sistema de controle adequado para monitorar os bilhões do
fundo. A resposta: falta de recursos.
Durante o segundo governo Lula, o
Fundo da Marinha Mercante foi convertido em um bilionário instrumento de
concessão de empréstimos a pretexto de “estimular a indústria naval”. O
levantamento mostra que, durante os governos de Lula e Dilma, a concessão de
empréstimos a empresas disparou. Foi de 465 milhões de reais, em 2005, para 4,4
bilhões de reais, em 2014. Em 2006, a liberação de empréstimos era de 893
milhões de reais. Após a reeleição de Lula, chegou a 9 bilhões de reais em
2007. Já em 2010, ano da eleição de Dilma Rousseff, os repasses do fundo
bateram novo recorde, chegando a 10,6 bilhões de reais.
Pelas regras, a empresa que
pretende receber dinheiro público precisa provar ao banco estatal que o projeto
financiado é viável economicamente e que ela, a empresa, tem condições de
honrar o compromisso assumido. No caso dos empréstimos do Fundo da Marinha
Mercante, o risco de calote é todo da União. Ironicamente, até existe um fundo
de garantia usado pelas empreiteiras, uma espécie de seguradora, para cobrir o
risco dos bancos estatais no caso de as empreiteiras não devolverem o dinheiro
público que pegaram emprestado. Ocorre que o fundo é mantido inteiramente por
dinheiro público. Ou seja, em caso de calote, a conta será apresentada aos
brasileiros. Um desfecho que parece cada vez mais inevitável ante a paralisação
de obras, a quebradeira dos estaleiros e a demissão em massa de trabalhadores.
Como mostra a auditoria do TCU,
realizada a pedido do senador Alvaro Dias (PV-PR) e encaminhada ao Congresso
recentemente, o principal objetivo dos estaleiros do petrolão que captaram
recursos do Fundo da Marinha Mercante era construir os navios-sonda que seriam
usados pela Petrobras para suprir a demanda de exploração de petróleo na camada
pré-sal. O negócio multibilionário seria realizado a partir da empresa Sete
Brasil, uma sociedade formada por banqueiros e fundos estatais, que encomendaria
os navios aos estaleiros financiados pelo fundo. Ocorre que a Sete Brasil se
tornou um cadáver insepulto após a Lava-Jato descobrir sua real função de atuar
como uma “filial do petrolão” ao mascarar as fraudes realizadas entre
empreiteiros e políticos corruptos. Em dificuldades financeiras, boa parte dos
estaleiros que captaram recursos do fundo terá de renegociar os empréstimos. E
aí mora o perigo.
Veja.com

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