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Lula vai liderar reação a possível governo Temer
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Depois do fracasso das articulações
contra o impeachment da presidente Dilma Rousseff na Câmara, o ex-presidente
Luiz Inácio Lula da Silva vai se dedicar a articular a resistência contra um
eventual governo Michel Temer. Interlocutores do ex-presidente avaliam que,
apesar da derrota, Lula ainda pode se beneficiar com o afastamento de Dilma e
chegar a 2018 como candidato de oposição.
Segundo o Instituto Lula, o
ex-presidente ainda não decidiu se vai disputar a Presidência pela sexta vez.
Mas os sinais são cada vez mais fortes. Anteontem, em ato com manifestantes
anti-impeachment, em Brasília, Lula disse que “espera chegar em 2018”. Aliados
do ex-presidente dizem que o petista ficou animado com resultado de pesquisas
que o colocam na liderança da disputa eleitoral.
O presidente do PT, Rui Falcão, já
disse que Lula se colocou à disposição para viajar o País ainda este mês. A
avaliação de que Lula poderia “fazer do limão uma limonada” é recorrente entre
interlocutores do ex-presidente. Para eles, caso o impeachment de Dilma se
confirme no Senado, Temer vai enfrentar um cenário negativo na economia em
médio prazo e desgaste político por ter se aliado ao presidente da Câmara,
Eduardo Cunha (PMDB-RJ), na condução do impeachment. A esperança dos petistas é
que Lula surja como o salvador da pátria em 2018. “Ele não vai e não deve jogar
a toalha por causa do resultado de hoje”, disse Celso Marcondes, diretor do
Instituto Lula.
No curto prazo, o ex-presidente
vai continuar articulando a defesa do mandato de Dilma no Senado,
independentemente de assumir ou não o ministério da Casa Civil e apesar de
estar ciente de que a tarefa é praticamente impossível.
Lula também vai liderar a reação
ao possível governo Temer em parceria com movimentos sociais ligados ao PT. A
ideia é aproveitar a alta rejeição ao vice apontada em pesquisas para carimbar
sua gestão como ilegítima.
Eleições gerais
Setores do PT defendem que o
partido lance os próximos dias uma campanha nacional de coleta de assinaturas
em apoio a uma Proposta de Emenda Constitucional (PEC) por novas eleições
presidenciais.
O ex-presidente tentou convencer
deputados a votarem contra o impeachment até momentos antes do início da
votação na Câmara. No sábado, viajou para São Paulo onde conversou com o
apóstolo Valdemiro Santiago, da Igreja Mundial do Poder de Deus.
Santiago tem influência sobre três
deputados federais, mas Lula pediu que ele o ajudasse a ampliar o apoio a Dilma
na bancada evangélica. Preocupado com os protestos previstos para hoje, Lula
também aproveitou a ida a São Paulo para tirar sua família do apartamento de
São Bernardo do Campo, acomodando-a em outro local não divulgado.
De volta a Brasília na manhã deste
domingo, 17, continuou telefonando para deputados a fim de conquistar votos
para Dilma. Investiu nos indecisos, mas também tentou mudar a avaliação dos que
já tinham opinião formada, como Paulo Maluf (PP-SP). Muitos, no entanto, não
atenderam suas ligações.
Lula falou pessoalmente com Maluf,
que, ao chegar ao plenário da Câmara, comparou Dilma à Virgem Maria e disse não
ver motivos jurídicos para o afastamento da petista, mas votou a favor do
impeachment.

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