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A
deputada Jandira Feghali e o senador Lindbergh Farias (PT-RJ),
que foi
abraçado pelo deputado Heráclito Fortes (PSB-PI)
|
BRASÍLIA - Mesmo com discursos
otimistas antes da votação, oposição e governo entraram no plenário ontem sem a
certeza de que teriam os votos necessários para aprovação ou para barrar o
impeachment da presidente Dilma, já que havia um grupo de indecisos que era
cortejados pelos dois lados. A partir do voto 208 favorável ao afastamento,
pouco antes das 21h, os governistas começaram a jogar a toalha e os ânimos se
exaltaram.
Sem perspectiva de mudança de
cenário, o vice-líder do governo, Orlando Silva (PCdoB-SP), procurou os
jornalistas para anunciar que seria difícil reverter a votação. “Este resultado
sinaliza que a oposição vencerá. PP, PR e PMDB do Paraná não cumpriram a
palavra. Dificilmente haverá reversão.”
Ao ser informado do comentário de
Orlando, outro vice-líder, deputado Silvio Costa (PTdoB-PE), se irritou e disse
que o colega estava errado e não sabia fazer contas. “Nós estamos no jogo. Se o
deputado Orlando admite a derrota, ele não sabe fazer contas”, disse, aos
gritos.
Aos poucos, os votos dos que se
declaravam indecisos foram se revelando no plenário, para desespero dos
governistas. As primeiras decepções vieram com os votos favoráveis ao
afastamento de Giacobo (PR-PR), do ex-ministro Alfredo Nascimento (PR-AM) e de
Flávia Morais (PDT-GO). O voto pró-impeachment de Tiririca (PR-SP) foi um dos
mais celebrados pela oposição. “Os golpistas venceram aqui na Câmara, mas a
luta continua”, lamentou o líder do governo, José Guimarães (PT-CE). O petista
disse que agora a luta será “na rua e no Senado”.
Tensão
A sessão foi marcada por momentos
tensos. O primeiro tumulto no plenário aconteceu logo no início, quando aliados
do Planalto não se conformavam com a ausência da defesa de Dilma. O vice-líder
do governo Paulo Teixeira (PT-SP) esbravejava contra a decisão quando foi
puxado da Mesa Diretora por Bolsonaro (PSC-RJ), que também protagonizou outro
momento acalorado.
O parlamentar começou seu voto
elogiando o presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), e causou polêmica ao
dizer que os governistas perderam em 1964 e são derrotados em 2016. “Contra o
comunismo, pela nossa liberdade, contra o Foro de São Paulo, pela memória do
coronel Carlos Alberto Brilhante, o pavor de Dilma, pelo exército de Caxias,
pelas Forças Armadas, por Deus o meu voto é sim”, declarou. Em seguida votou
Jean Wyllys (Psol-RJ), que no fim do discurso contra o impeachment cuspiu em
direção a Bolsonaro.
Muitos deputados que votavam
contra o impeachment manifestavam o repúdio à condução dos trabalhos por Cunha.
Glauber Braga (PSOL-RJ) chegou a chamá-lo de “gângster”, levando os governistas
a sair da apatia em plenário e aplaudi-lo. O vice-líder do governo Silvio Costa
(PT do B) foi um dos que mais empolgaram os governistas por chamar o presidente
da Casa de “canalha” e “bandido”./DAIENE CARDOSO, BERNARDO CARAM, DANIEL
CARVALHO, BEATRIZ BULLA, ERICH DECAT, IGOR GADELHA, JULIA LINDNER, LUCIANA
NUNES LEAL, PEDRO VENCESLAU E VALMAR HUPSEL FILHO

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