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O
ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o presidente do PT
Rui Falcão, na reunião do Conselho Político da
Presidência
do PT, na
segunda-feira (15), em São Paulo
(Jorge
Araújo/Folhapress)
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Investigadores sugerem que
dinheiro pode ter bancado a sede do instituto ou obras em outras propriedades
do ex-presidente e pedem a prisão de executivos para esclarecer os repasses
A 23ª fase da Operação Lava Jato,
deflagrada nesta segunda-feira pela Polícia Federal, esmiuça as informações
contidas em uma planilha anexada a um e-mail secreto do executivo da Odebrecht
Fernando Migliaccio da Silva. O documento, que traz siglas acompanhadas de
valores, foi uma das principais provas colhidas no âmbito da Operação Acarajé.
Em uma das anotações está escrito "Prédio (IL)", ao lado da quantia
de 12,4 milhões de reais. A PF investiga se as letras se referem ao Instituto
Lula.
"A equipe de análise
consignou ser possível que tal rubrica faça referência ao Instituto Lula".
Os investigadores aventaram a possibilidade de o dinheiro ter sido usado na
construção do prédio do Instituto Lula, na Zona Sul de São Paulo. "Assim,
caso a rubrica 'Prédio (IL)' refira-se ao Instituto Lula, a conclusão de maior
plausibilidade seria a de que o Grupo Odebrecht arcou com os custos de
construção da sede da referida entidade e/ou de outras propriedades
pertencentes a Luiz Inácio Lula da Silva", diz o texto. De acordo com o
registro, o dinheiro teria sido repassado em parcelas de 3,1 milhões, 8,2
milhões e 1 milhão de reais.
A PF, no entanto, fez a ressalva
de que a conclusão pode estar "equivocada" e indica a necessidade de
prisões cautelares de executivos da Odebrecht, como Fernando Miglaccio, para
explicar melhor os significados das anotações. "O possível envolvimento do
ex-presidente da República em práticas criminosas deve ser tratado com
parcimônia, o que não significa que as autoridades policiais devam deixar de
exercer seu mister constitucional", diz a PF no inquérito.
A polícia ainda cita uma mensagem
do ex-presidente da Odebrecht, Marcelo Odebrecht, mencionando a palavra
"Prédio". "Liberar p/ Feira pois meu pessoal não ficou sabendo.
Deixar prédios com Vaca", diz a mensagem interceptada pela força-tarefa da
Lava Jato. Segundo as investigações, Feira seria o ex-marqueteiro João Santana
e Vaca o ex-tesoureiro do PT João Vaccari Neto, ambos suspeitos de envolvimento
no escândalo da Petrobras.
Apesar de ter um mandado de prisão
contra ele, Migliaccio não foi preso porque está nos Estados Unidos desde que a
PF deflagrou a Operação Erga Omnes, que tinha como alvos principais a Odebrecht
e a Andrade Gutierrez, em junho do ano passado. A polícia descobriu que
Migliaccio usava um e-mail sigiloso para tratar de questões suspeitas - o
endereço era o.overlord@hotmail.com. A planilha teria sido produzida pela
secretária de confiança da Odebrecht Maria Lúcia Guimarães Tavares, que foi
presa nesta segunda-feira em Salvador.
A Odebrecht também foi apontada
como uma das empreiteiras que pagou parte da reforma do sítio de Lula em
Atibaia (SP). Na ocasião, a empreiteira negou ter patrocinado obras no imóvel.

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