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Presidente
Dilma Rousseff, durante cúpula em Brasília: no mínimo,
os próximos
três anos serão solitários para a presidente.
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“A
incompetência, a arrogância e a corrupção esmagaram a magia brasileira”. É
assim, sem meias palavras, que o jornal britânico Financial Times começa uma
dura análise sobre a condição atual do Brasil.
Com o título
“Recessão e corrupção: a crescente podridão no Brasil”, o texto publicado nesta
quarta-feira destaca os fatores que levaram o Brasil a virar “um filme de
terror sem fim”.
O primeiro
deles é o método desastroso que perseguiu as decisões econômicas do primeiro
mandato da presidente Dilma Rousseff, que, nas palavras do jornal, manipulava a
economia com sua “nova matriz econômica”.
Para reparar
os erros do passado, o governo Dilma tem adotado medidas corretivas “dolorosas,
mas necessárias” que como efeito têm reduzido os salários reais, “cortado
empregos e esmagado a confiança nos negócios”, além do pífio desempenho da
petista nas sondagens de opinião pública.
Mas, para a
publicação, o que mais pesa na situação escabrosa do Brasil é o escândalo de
corrupção na Petrobras.
“A senhora
Rousseff enfrenta acusações de que sua gestão quebrou regras de financiamento
de campanha e que maquiou as contas do governo; ambas [acusações] são
suficientes para um impeachment”.
Presidente
Dilma Rousseff, durante cúpula em Brasília: no mínimo, os próximos três anos
serão solitários para a presidente
O Financial
Times pondera que, pelo menos por enquanto, os políticos preferem que Dilma se
mantenha no poder e ganhe o crédito pelos problemas do país.
“Mas este
cálculo pode mudar ao passo que eles precisarem salvar a própria pele”, diz o
texto. Para o jornal, o rompimento do
presidente da Câmara, Eduardo Cunha, com o governo na última sexta seria uma
prova disso.
O cenário
deve piorar se o ex-presidente Luis Inácio Lula da Silva for alvo de processo
por envolvimento no esquema de corrupção.
“Isso
aprofundaria o racha entre ele e Rousseff”, diz o jornal. Se isso se
concretizar, todos os fatores conspirariam para a deposição da presidente, na
opinião da publicação.
Mas nem tudo
são más notícias no país, diz o jornal. O texto argumenta que o zelo pela
Petrobras mostra o quanto as instituições democráticas são fortes no Brasil.
“Em um país
onde os poderosos pensam que estão acima da lei, Marcelo Odebrecht, chefe da
maior empresa de construção do Brasil, está preso”, afirma o texto.
O jornal
pontua que, se por um lado, o aprofundamento das investigações da Operação Lava
Jato tem preocupado investidores, por outro, se “isso levar políticos e
empresários a pensar duas vezes antes de pagar suborno, este terá sido o maior
o maior avanço da luta da região [América Latina] contra a corrupção”, diz a
publicação.
Enquanto
esta história não chega ao seu desfecho prático, o jornal prevê ao menos mais
três anos solitários para a presidente Dilma.
“Os
brasileiros são pragmáticos, então, o pior cenário de um impeachment caótico será
evitado”, afirma. “Mesmo assim, o mercado tem começado a cobrar o preço pelo
risco”.
Conclusão: o
pior ainda pode estar por vir para o
Brasil, na visão do Financial Times.

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