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Foto:
Divulgação. Dilma participa do Programa
'Mais Você', de Ana Maria Braga.
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Ela já andou
de bicicleta, saudou a mandioca e inventou a “mulher sapiens”. Nada disso,
porém, deu resultado nem serviu para tirar sua popularidade do precipício.
Agora, em mais uma tentativa de enfrentar a crise política, a presidente Dilma
Rousseff vai tentar mudar a estratégia de comunicação, investir em conversas
pela internet e “humanizar” sua imagem.
Além de
aparecer mais em programas de TV, Dilma prepara uma ofensiva virtual, a menos
de um mês dos protestos previstos para 16 de agosto contra seu governo. Na
próxima semana, a Secretaria Geral da Presidência lançará o site “Dialoga
Brasil”, uma plataforma que, mais adiante, terá até mesmo um aplicativo para
celular. A meta é medir a temperatura da administração e planejar reações com
antecedência.
No auge do
distanciamento com os eleitores de todas as classes, acuada pela crise, com uma
Operação Lava Jato batendo à porta do Planalto e problemas na economia, Dilma
recorrerá a um novo canal para divulgar as iniciativas de sua gestão e, ao
mesmo, saber o que a sociedade pensa sobre elas.
Setenta e
três programas de governo, como Bolsa Família, Mais Médicos e Minha Casa, Minha
Vida, serão submetidos ao crivo da população. Na primeira leva, quatro temas
entrarão em debate: saúde, educação, segurança pública e combate à pobreza. O
site terá ferramentas populares nas redes sociais, como “curtir” e “compartilhar”.
De posse de
críticas e sugestões, ministros responsáveis pelos projetos serão acionados
para dar respostas aos usuários. Enquanto isso, Dilma concederá entrevistas a
apresentadores de TV. Em junho, ela apareceu no Programa do Jô, da TV Globo, e
na próxima semana estará no “Mariana Godoy Entrevista”, da Rede TV! Auxiliares
da presidente também pretendem convencê-la a fazer um giro por programas
populares e a voltar a preparar “omelete” em público – em 2011, logo após
eleita pela primeira vez, ela preparou a receita no "Mais Você", de
Ana Maria Braga, na Globo.
Antes
reclusa no Planalto, Dilma vai agora para o enfrentamento político, defendendo
sua gestão das denúncias que pipocam dia após dia, desde que a Operação Lava
Jato desvendou um gigantesco esquema de corrupção na Petrobrás. O plano, porém,
não é tratar da Lava Jato, mas, sim, criar uma agenda positiva para se
contrapor à sucessão de escândalos, que têm impacto direto no governo. Das
delações premiadas ao rompimento do presidente da Câmara, Eduardo Cunha
(PMDB-RJ) com o Planalto, tudo respinga no gabinete presidencial.
Em conversas
reservadas, assessores contam que Dilma criou sozinha os últimos lances de sua
comunicação. Na tentativa de parecer alheia ao inferno astral que ronda o
Planalto há meses, ela fez uma saudação à mandioca e lançou a “mulher sapiens”,
deixando perplexos até mesmo integrantes do PT. Depois, pressionada, garantiu
que não iria cair e que defenderia o mandato “com unhas e dentes”. No governo,
a estratégia foi considerada um desastre porque, além de tudo, pôs o
impeachment na boca da presidente.

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