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Marcelo
Odebrecht está preso na carceragem
da PF em
Curitiba (PR) Foto: Piti Reali/Estadão Conteúdo
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Ex-tesoureiro é réu ações penais
na Justiça Federal e apontado como operador de esquema
Relatório da Polícia Federal sobre
as anotações no telefone do presidente da Odebrecht, Marcelo Odebrecht, mostram que, em
mais de uma ocasião, o maior empreiteiro do País relacionou o nome do
ex-tesoureiro do PT João Vaccari Neto a valores e a porcentagens ligadas obras
da companhia.
Tanto Marcelo Odebrecht como João
Vaccari estão presos na Lava Jato sob
suspeita de participarem do esquema de pagamento de propinas a diretores da
Petrobras e a partidos políticos responsáveis pelas indicações de cargos na
estatal petrolífera.
O ex-tesoureiro é réu em duas
ações penais na Justiça Federal no Paraná e apontado pelos investigadores como
o responsável por operar a cota de 1% dos valores dos contratos repassados como
propina para o PT na diretoria de Serviços da estatal.
No relatório de 31 páginas da
Polícia Federal, chamou a atenção dos investigadores a utilização da palavra
"feira" em vários tópicos, e que posteriormente aparece relacionada a
João Vaccari Neto.
"Presume-se que esteja
diretamente relacionada a distribuição de valores para pagamentos de contas
estranhas a operação normal das atividades econômicas do grupo Odebrecht, tal
assertiva se baseia em anotações datadas de 09/01/2013, onde Marcelo utilizava
tal palavra vinculando-a ao número 40 e a Vaca (alusão a Vaccari)",
assinala a Polícia Federal.
Na mesma anotação, de 9 de janeiro
de 2013, há também um tópico específico sobre "créditos", no qual há
referência de porcentagens de 3% seguidas dos nomes "Vacareza", uma
possível referência ao ex-líder do governo na Câmara Cândido Vaccarezza e
"Zaratini" (que a PF coloca uma tarja preta na identificação
completa), logo depois da sigla BMX, que a Polícia Federal identifica como o
empreendimento "BMX Empreendimento Imobiliário e Participações S/A",
da Odebrecht Realizações Imobiliárias a ser construído na capital paulista.
Há ainda o tópico "notas
antigas", no qual surge referência "adiantar 15 p/JS" e em
seguida a anotação "IPI até dez e pis/Cofins até jan". Ainda
relacionado a este tópico, há o título "Contribuição", a partir do
qual surgem várias referências de valores seguidas de siglas que a Polícia
Federal ainda não buscou identificar.
O nome do ex-tesoureiro do PT,
segundo a PF, aparece ainda associado a outra obra, em um trecho mais abaixo da
agenda do celular de Odebrecht.
"Transnordestina. Vs.
Embranav. Vaca 2,2M?". De acordo com os investigadores, "Vaca"
seria uma das referências a Vaccari. Ao longo das anotações, Marcelo utiliza de
várias siglas e códigos para evitar identificar principalmente os políticos que
cita. A Odebrecht atuou em trechos da obra da Transnordestina até 2013.
No pedido de indiciamento de
Marcelo Odebrecht encaminhado à Justiça Federal, a PF atribui ao empresário
preso "doações e pagamentos diretos" e "influência junto a
instituições inclusive o Judiciário". "Podemos constatar referências
a nomes de autoridades públicas, doações e 'pagtos. diretos', influência junto
a instituições (inclusive o Judiciário) sendo tais assuntos tratados em meio
aos interesses comerciais do grupo empresarial.", apontam os
investigadores.
Cândido Vaccarezza
O advogado Marco Aurélio Toscano,
que defende Cândido Vaccarezza informou que não vai se manifestar sobre o
relatório da Polícia Federal pois ainda não teve acesso ao documento.
João Vaccari Neto
A defesa do ex-tesoureiro do PT
vem reiterando desde que ele foi preso que Vaccari nunca recebeu propinas e que
todas as doações ao PT, "solicitadas pelo sr. Vaccari, foram realizadas,
pelos seus doadores, por meio de depósito bancário, na conta do PT, dentro da
lei, com toda transparência necessária, de modo a estarem rigorosamente dentro
da lei, com a consequente prestação de contas às autoridades.", diz nota do
advogado Luiz Flávio Borges DUrso.
Carlos Zaratini
Carlos Zaratini (PT-SP) informou à
reportagem que já se encontrou com Marcelo Odebrecht, apenas em eventos, e
disse não saber do que se tratam as anotações. "Não tenho a menor ideia do
que seja isso", afirmou.
Odebrecht
"As defesas aguardarão a
oportunidade de exercer plenamente o contraditório e o direito de defesa.
Em relação a Marcelo Odebrecht, o
relatório da Polícia Federal traz novamente interpretações distorcidas,
descontextualizadas e sem nenhuma lógica temporal de suas anotações pessoais. A
mais grave é a tentativa de atribuir a Marcelo Odebrecht a responsabilidade
pelos ilícitos gravíssimos que estão sendo apurados e envolveriam a cúpula da
Polícia Federal do Paraná, como a questão da instalação de escutas em celas,
dentre outras.
O Relatório da Polícia Federal
presta um desserviço à sociedade e confunde a opinião pública ao estabelecer
suposições a partir de anotações pessoais de Marcelo Odebrecht, quando deveria
ater-se a fatos concretos. Apenas no anexo 11 do referido Relatório constam 16
variantes de termos como "presume-se", "possivelmente",
"é possível que" e "pode ser"
A Odebrecht repudia especialmente
a intenção de atribuir ao diretor-presidente da holding pretensas intenções
extraídas de raciocínios especulativos, com o objetivo claro de prolongar
prisão que, como a dos demais executivos que atuaram na Odebrecht, é totalmente
ilegal e abusiva.
Em relação ao despacho do Juiz
Sergio Moro, as defesas responderão dentro do prazo legal."

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