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| (Foto: Valter Campanato/Agência Brasil) |
"Tem mais de 5 milhões de produtores rurais, sendo que 70% deles estão na classe D e E, 6% na classe A e B e apenas 15% na classe C”, disse a ministra .
Ao assumir
ontem, segunda-feira (5) o cargo de ministra da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Kátia
Abreu evitou tratar das polêmicas envolvendo declarações recentes de que não
haveria mais latifúndio no Brasil e disse que recebeu da presidenta Dilma
Rousseff a incumbência de dobrar a classe média rural nos próximos quatro anos.
“Ela
[Dilma] me pediu obstinação nessa tarefa. Vamos estabelecer como meta dobrar a
classe média rural nos próximos quatro anos. Tem mais de 5 milhões de
produtores rurais, sendo que 70% deles estão na classe D e E, 6% na classe A e
B e apenas 15% na classe C”, disse a ministra que prometeu levar pelo menos 800
mil produtores para a classe C.
Segundo ela, será feito um esforço para
dotar esses produtores de capacitação técnica. Para isso, a nova ministra
pretende envolver órgãos federais como a Agência Nacional de Assistência
Técnica e Extensão Rural (Anater), o Sistema S e as universidades. “Vamos de
porteira em porteira atrás dessas pessoas buscando e levando uma revolução em
tecnologia para que eles possam ascender socialmente e ter uma renda mais
elevada”, disse.
Kátia
Abreu também falou em diálogo com os movimentos sociais e ao ser perguntada
sobre a declaração de que não haveria mais necessidade de uma reforma agrária
ampla no Brasil, respondeu que o assunto é da competência de outro ministério .
“O meu ministério não é responsável pela reforma agrária, essa competência é do
MDA [Ministério do Desenvolvimento Agrário], e eu pretendo respeitar essa
competência”.
A
declaração de Kátia Abreu sobre latifúndio recebeu crítica do Conselho
Indigenista Missionário (Cimi) que, em nota, considerou a fala “descabida e
desconectada da realidade do nosso país”. “Quem realmente conhece a história de
nosso país sabe que não são os povos indígenas que saíram ou saem das
florestas. São os agentes do latifúndio, do ruralismo, do agronegócio que
invadem e derrubam as florestas, expulsam e assassinam as populações que nela
vivem”, diz a nota.
A nova
ministra, no seu discurso, também defendeu a ampliação da infraestrutura
logística com a construção de ferrovias e hidrovias. Segundo Kátia, um dos
desafios do ministério será desbravar a fronteira agrícolas dos estados do
Norte e Nordeste, em especial o Tocantins, Maranhão, Piauí e a Bahia. “É
uma região muito especial onde não ocorrerá desmatamento, pelo contrário, são
áreas de pecuária que estão sendo transformadas em agricultura, e essa região
precisará ter um crescimento sustentável do ponto de vista ambiental,
da logística, da energia e da armazenagem”.
Ela disse
ainda que vai trabalhar para aumentar as exportações do agronegócio. “Nós temos
um imenso mercado no exterior, e as nossas empresas, as nossas agroindústrias,
precisam estar preparadas para exportar para esse grande mercado consumidor,
quer seja de carne em geral, quer sejam de outros produtos. A nossa obrigação
como ministério é abrir as portas para que todas as empresas possam exportar”.
A nova
ministra também prometeu tratar da crise do setor sucroalcooleiro, decorrente
do baixo preço do petróleo e de questões climáticas. “O setor sucroalcooleiro
não tem uma receita única, teremos que ter uma receita com vários
conceitos, com variadas prioridades e soluções para que este assunto se
resolva”, disse Katia Abreu que prometeu buscar uma solução para crise em
reuniões com os ministérios da Fazenda, do Planejamento e com o Tesouro
Nacional.
Fonte: Agência Brasil

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