STF mantém condenação de Washington Reis a mais de sete anos por danos ambientais | Rio das Ostras Jornal

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STF mantém condenação de Washington Reis a mais de sete anos por danos ambientais


O Supremo Tribunal Federal (STF) manteve, nesta quinta-feira (5), a condenação do ex-prefeito de Duque de Caxias Washington Reis (MDB) a sete anos, dois meses e 15 dias de prisão por crimes ambientais e parcelamento irregular do solo. A decisão foi tomada pelo Plenário durante a análise de um recurso apresentado pela defesa, que tentava reverter a sentença.

O processo envolve a implantação de um loteamento na região de influência da Reserva Biológica do Tinguá, área de conservação da Mata Atlântica localizada na Baixada Fluminense. A defesa argumentou que mudanças nas normas ambientais ocorridas em 2010 deveriam beneficiar o ex-prefeito, mas a maioria dos ministros entendeu que a alteração não afastou o caráter criminoso da conduta.

Entenda a condenação

Washington Reis foi condenado em 2016, em regime inicial semiaberto, por danos ambientais em unidade de conservação e parcelamento irregular do solo. Os crimes estão previstos na Lei de Crimes Ambientais (Lei 9.605/1998) e na Lei de Parcelamento do Solo Urbano (Lei 6.766/1979).

Segundo a denúncia da Procuradoria-Geral da República (PGR), Reis determinou a execução do loteamento Vila Verde entre 2005 e 2009, na zona de amortecimento da Reserva Biológica do Tinguá.

A ação penal foi julgada pelo STF porque, na época dos fatos, Reis exercia o mandato de deputado federal e tinha direito a foro por prerrogativa de função.

Defesa questionou mudança nas regras ambientais

A defesa apresentou novos recursos contra a condenação, incluindo embargos de declaração e, posteriormente, embargos infringentes. Esse último instrumento permite rediscutir decisões não unânimes do próprio Tribunal, desde que atendidos os requisitos legais.

Os advogados sustentaram que uma mudança nas normas do Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama), em 2010, deveria ser aplicada retroativamente. Na ocasião, o órgão reduziu de 10 quilômetros para 3 quilômetros o raio de referência para o licenciamento ambiental obrigatório de intervenções com impacto significativo em unidades de conservação.

Maioria dos ministros votou pela manutenção da pena

No julgamento concluído nesta quinta-feira (5), prevaleceu o voto do ministro Flávio Dino, relator do caso, favorável à manutenção da condenação. Para ele, a alteração das regras do Conama não retirou o caráter criminoso da conduta atribuída ao ex-prefeito.

Acompanharam o relator os ministros Cristiano Zanin, Alexandre de Moraes, Gilmar Mendes e Edson Fachin, presidente do STF, além da ministra Cármen Lúcia.

Durante o julgamento, Cármen Lúcia destacou que a prova técnica apresentada no processo apontou danos ambientais a aproximadamente 300 metros da Reserva Biológica do Tinguá.

Ficaram vencidos os ministros André Mendonça, Luiz Fux e Nunes Marques. Fux e Nunes Marques defenderam que a mudança na delimitação da área de proteção deveria beneficiar o réu, por entenderem que a conduta deixou de ser considerada crime diante das novas regras.

A reportagem que divulgou a decisão informou que procurou a defesa de Washington Reis. O espaço permanece aberto para manifestação.

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