O presidente da Câmara Municipal de Rio das Ostras, vereador Marciel Gonçalves de Jesus Nascimento, fez um duro pronunciamento na manhã desta quarta-feira (21), durante a sessão no plenário do Legislativo. Ao criticar a atuação de setores da administração municipal, o parlamentar cobrou uma reação do prefeito e defendeu a exoneração de responsáveis por secretarias que, segundo ele, não conseguem trabalhar de forma integrada.
“Não dá para aturar preguiçosos e incompetentes”, declarou
Marciel, ao apontar problemas na execução dos serviços públicos e questionar
por que os recursos e contratos disponíveis não estão se traduzindo em
melhorias visíveis nas ruas da cidade.
O discurso concentrou as críticas em três áreas: Serviço
Público, Meio Ambiente e SAAI. Na avaliação do presidente da Câmara, a falta de
comunicação entre esses setores prejudica atividades que deveriam ser
coordenadas, como manutenção de vias, limpeza de caixas de ralo e poda de
árvores.
O vereador também afirmou que os contratos relacionados às
três estruturas já estariam próximos ou acima de R$ 150 milhões. Apesar dos
valores que mencionou, sua principal cobrança foi pela falta de resultados
percebidos pela população, que convive com buracos, lama, esgoto vazando e bueiros
entupidos em diferentes pontos do município.
Falta de comunicação entre secretarias é alvo de críticas
Ao explicar o motivo de sua indignação, Marciel afirmou que
as três áreas executam serviços que, na prática, precisam funcionar de maneira
coordenada. Segundo ele, a falta de entendimento entre as equipes provoca
retrabalho e compromete a qualidade dos serviços realizados nas vias públicas.
O parlamentar descreveu situações em que uma equipe conclui
determinada atividade e deixa resíduos no local, prejudicando o trabalho de
outro setor que já havia realizado um serviço. Na avaliação dele, não basta
cada secretaria considerar sua própria tarefa concluída se o resultado final
continua causando transtornos aos moradores.
“Um faz um serviço, diz ‘eu fiz minha parte’, joga lixo em
cima do serviço do outro e vai embora”, afirmou o vereador, ao ilustrar o que
considera uma falha de integração entre as estruturas municipais.
Para Marciel, o problema não se resume à execução de uma
tarefa isolada, mas à ausência de coordenação dentro do próprio Poder
Executivo. Ele ressaltou que as secretarias precisam atuar em conjunto,
especialmente quando suas atribuições se encontram nas ruas e nos serviços de
manutenção urbana.
Vereador cobra liderança do prefeito e defende exonerações
O presidente da Câmara direcionou parte central de seu
pronunciamento à responsabilidade do chefe do Executivo na condução da
administração. Para ele, cabe ao prefeito assegurar que os setores trabalhem de
forma articulada e que os recursos destinados aos serviços públicos produzam
resultados concretos.
“Está faltando atitude da parte do prefeito em ter liderança
e exonerar esses caras”, declarou Marciel, defendendo mudanças na condução das
áreas que, segundo sua avaliação, não estão entregando o desempenho esperado.
O vereador também afirmou que eventuais vaidades entre
gestores não podem se sobrepor ao funcionamento da administração municipal. “O
Poder Executivo, ele é único. As secretarias têm que se comunicar. Se existe
vaidade, retira”, disse.
Na avaliação do parlamentar, a existência de contratos,
equipamentos e recursos financeiros deveria permitir uma resposta mais
eficiente às necessidades da cidade. Por isso, ele questionou a permanência dos
responsáveis pelas áreas criticadas caso os problemas continuem sem solução.
Buracos, lama e esgoto aumentam a insatisfação
Ao longo do discurso, Marciel associou as falhas
administrativas às condições das ruas de Rio das Ostras. Ele citou buracos,
acúmulo de lama, vazamentos de esgoto e bueiros entupidos como problemas que,
segundo afirmou, se repetem em diferentes regiões do município.
“Não tem uma rua nessa cidade que não tenha buraco, lama e
esgoto vazando por tudo quanto é lado”, declarou o vereador, ao expressar sua
insatisfação com a situação da infraestrutura urbana.
A fala reforça uma questão que afeta diretamente o cotidiano
dos moradores: a capacidade do poder público de manter as vias em condições
adequadas de circulação, realizar a limpeza e garantir que os serviços
executados por diferentes equipes não se tornem ações isoladas, sem resultado
duradouro.
Quando há falhas na manutenção, os transtornos atingem
pedestres, motoristas, motociclistas, comerciantes e moradores que dependem das
ruas para suas atividades diárias. Problemas de drenagem, lama e esgoto também
podem comprometer a mobilidade e as condições sanitárias dos locais afetados.
“Não é falta de dinheiro”, afirma parlamentar
Outro ponto central do pronunciamento foi a contestação de
que a situação seria consequência da falta de recursos. Marciel afirmou que o
prefeito disponibilizou contratos, maquinário e dinheiro para as estruturas
responsáveis pelos serviços.
“Não é falta de dinheiro, não é falta de dinheiro”, repetiu
o vereador, ao sustentar que a administração precisa transformar os recursos
disponíveis em serviços efetivamente realizados.
O parlamentar mencionou contratos que, segundo sua
declaração, ultrapassam R$ 150 milhões e questionou por que a população não
consegue perceber o retorno desse investimento nas ruas. O valor citado, porém,
precisa ser confrontado com os contratos vigentes, seus objetos, prazos e
valores efetivamente executados para que seja possível dimensionar o conjunto
de despesas envolvidas.
A cobrança coloca em evidência a diferença entre a
existência de contratos administrativos e a entrega de resultados. Para os moradores,
o que determina a qualidade do serviço público é a solução dos problemas
encontrados no dia a dia, e não apenas a previsão de recursos no orçamento ou a
contratação de empresas.
Disputa política também entrou no discurso
Marciel ainda afirmou que os responsáveis pelas secretarias
não foram eleitos diretamente pela população e que a cobrança política acaba
recaindo sobre o prefeito e os vereadores.
“Quem vai botar a cara na rua para pedir voto à população é
o prefeito, são os vereadores. Somos nós que vamos pagar pela incompetência
desses caras”, declarou.
Com essa afirmação, o presidente da Câmara relacionou o
desempenho da administração municipal à responsabilidade política dos agentes
eleitos. Na visão apresentada pelo parlamentar, a população cobra resultados
dos representantes escolhidos nas urnas, mesmo quando os problemas apontados
envolvem a atuação de gestores nomeados para cargos no Executivo.
O pronunciamento terminou com a repetição do pedido de
exoneração dos responsáveis pelas áreas criticadas. Marciel sustentou que a
permanência dos problemas, apesar dos recursos e da estrutura que afirmou
estarem disponíveis, exige uma decisão do prefeito.
Prefeitura precisa responder às cobranças
As declarações do presidente da Câmara abrem espaço para esclarecimentos
sobre a atuação das secretarias de Serviço Público, Meio Ambiente e SAAI, a
integração entre as equipes e os contratos citados durante a sessão.
Para avaliar a dimensão dos problemas apontados, é
necessário conhecer os contratos relacionados aos serviços mencionados,
verificar quais atividades estão previstas, quanto já foi executado e quais
mecanismos de fiscalização e cobrança de resultados estão sendo utilizados pela
administração.
Também é importante que a Prefeitura informe quais medidas
estão sendo adotadas para corrigir falhas de execução, melhorar a comunicação
entre as equipes e atender às reclamações sobre buracos, lama, drenagem e
vazamentos de esgoto.
O Rio das Ostras Jornal mantém o espaço aberto para que a
Prefeitura se manifeste sobre as declarações do vereador, esclareça os valores
dos contratos mencionados e apresente as providências previstas para melhorar
os serviços públicos no município.
#RioDasOstrasJornal

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