Polícia do Rio desarticula esquema de venda de carros clonados no Tiktok com 21 perfis identificados | Rio das Ostras Jornal

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Polícia do Rio desarticula esquema de venda de carros clonados no Tiktok com 21 perfis identificados

Polícia do Rio desarticula esquema de venda de carros clonados no Tiktok com 21 perfis identificados
Reprodução

A Delegacia de Roubos e Furtos de Automóveis da Capital (DRFA-CAP) identificou ao menos 21 perfis no TikTok que atuam na venda de carros clonados e peças ilegais no Rio de Janeiro. A investigação, que começou em maio de 2025, revela um sofisticado esquema criminoso que utiliza a plataforma como vitrine para atrair compradores.

Os criminosos anunciam veículos de luxo por valores até 20 vezes abaixo da Tabela Fipe, como um Audi Q8 de R$ 300 mil por apenas R$ 15 mil, e utilizam a rede social para estabelecer contato e até mesmo receber "encomendas" para roubos específicos. A prática ilegal não se limita à venda de veículos, estendendo-se a peças e "puxada de documentos", conforme indicado abertamente em algumas das páginas investigadas, desafiando as leis e a segurança pública na Região dos Lagos e em todo o interior do RJ.

Anúncios Irreais e Encomendas para Roubos

Os perfis no TikTok exibem uma gama de veículos, desde um Corolla 2022 anunciado por R$ 8,5 mil (com valor de mercado acima de R$ 100 mil) até um Jeep Compass Sport 2024 pelo mesmo preço. O caso mais gritante envolveu um Audi Q8 2019, avaliado em mais de R$ 300 mil, ofertado por apenas R$ 15 mil. A discrepância de preços serve como um forte alerta para os consumidores, indicando a natureza ilícita da transação.

A polícia observou que os criminosos não apenas vendem veículos já clonados, mas também utilizam os canais digitais para receber pedidos, praticando roubos de carros sob encomenda. A interação nos comentários das postagens, com perguntas como "como faço para buscar?" e "tem para pronta entrega ou ainda vai buscar?", demonstra o interesse dos compradores e a dinâmica do mercado ilegal.

As investigações do g1 revelaram que muitos dos perfis mostram predominância de atuação em áreas dominadas pelo Comando Vermelho. A presença de um ícone de bandeira vermelha 🚩 ao lado da frase "entrego dependendo da região- RJ" em diversas publicações é interpretada pela polícia como um indicativo de parceria com a facção criminosa, ampliando a complexidade e o perigo do esquema.

A Complexidade da Investigação e a Operação Sinal Oculto

Thiago Neves Bezerra, delegado diretor da DRFA, explicou que as redes sociais se tornaram uma "vitrine para esse mercado criminoso", explorando o alcance, a facilidade de criação de perfis e a velocidade de comunicação. As contas, que geralmente permanecem ativas por curtos períodos (entre 30 e 60 dias), são bloqueadas e banidas pelo TikTok após solicitação policial, mas a identificação dos responsáveis é um desafio.

Os dados cadastrais fornecidos pelas plataformas frequentemente estão vinculados a e-mails falsos ou a nomes de pessoas que desconhecem o uso de seus dados. Para criar camadas de anonimato, os criminosos utilizam "laranjas" para as chaves Pix, com números de telefone registrados em nome de terceiros, inclusive de outros estados. A análise de dados financeiros e digitais, com autorização judicial, é crucial para desvendar a estrutura criminosa por trás dessas operações.

Em 27 de agosto de 2026, a DRFA-CAP deflagrou a Operação Sinal Oculto, expedindo 37 mandados de busca, dos quais 11 resultaram em apreensões. A operação levou à prisão de uma pessoa por mandado e duas em flagrante. Entre os materiais apreendidos estavam 19 telefones celulares, oito máquinas de cartão, sete rádios comunicadores, três veículos, dois simulacros de fuzil, munições e diversas embalagens de entorpecentes (crack, erva seca e pó branco). Os celulares apreendidos estão sendo periciados para esclarecer a estrutura dos envolvidos, a relação entre perfis, vendedores, compradores e as contas utilizadas para pagamentos.

O TikTok, por sua vez, informou que os perfis foram removidos por violar suas Diretrizes da Comunidade, que proíbem conteúdos que promovam crimes ou danos. A plataforma afirma atuar com moderação contínua e proativa, removendo automaticamente conteúdos que violam suas políticas, com um alto percentual de remoções antes mesmo de denúncias ou visualizações. O Rio das Ostras Jornal acompanha o caso.

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