
O enjoo em viagens de carro elétrico é uma experiência que a assessora de imprensa Rowena Romagnoli conhece bem. Durante trajetos curtos, ela sente náuseas e tontura, uma sensação que se intensifica com o avanço do veículo. A descoberta de que não estava sozinha veio após ver uma publicação nas redes sociais sobre passageiros passando mal em modelos da marca BYD.
"Notei uma frequência de enjoo e mal-estar depois de utilizar carros de aplicativo, mas nunca me dei conta da razão. Até que vi um meme falando sobre a sensação estranha e vontade de vomitar dentro de modelos da BYD. A partir desse momento fiz a conexão dos pontos, entendi que não era somente comigo, pesquisei e vi que é mais comum do que imaginamos", relatou ao Olhar Digital.
Os sintomas de Rowena são típicos de cinetose, ou enjoo de movimento, uma condição que pode ocorrer em diferentes tipos de transporte. Nos veículos elétricos, características como a aceleração rápida e a frenagem regenerativa podem intensificar o desconforto em pessoas suscetíveis.
Como o cérebro processa o enjoo
O cérebro combina informações da visão, do sistema vestibular no ouvido interno e da percepção corporal para identificar movimentos. Quando esses sinais não correspondem ao movimento esperado, pode surgir uma sensação de desorientação. Sérgio Semeraro Jordy, neurologista, explica que a cinetose está relacionada à dificuldade de integrar essas informações, resultando em tontura, náuseas e outros sintomas.
A visão desempenha um papel crucial nesse processo. Ler ou assistir a vídeos durante o trajeto pode intensificar os sintomas, pois os olhos se concentram em um objeto parado enquanto o ouvido interno percebe os movimentos do veículo.
Características dos carros elétricos
Embora a cinetose não seja exclusiva dos carros elétricos, algumas características desses veículos podem tornar o trajeto mais desconfortável. A resposta rápida do motor ao acelerador e a frenagem regenerativa são fatores que influenciam a percepção das mudanças de velocidade. Nos elétricos, o motor entrega força rapidamente, o que pode causar desconforto quando seguido por desaceleração brusca.
O baixo nível de ruído dos carros elétricos também pode influenciar a percepção dos movimentos, já que nos veículos a combustão, o som do motor e as vibrações ajudam a perceber mudanças de velocidade. No entanto, a contribuição dessa diferença para o enjoo precisa ser considerada com cautela.
Jordy destaca que as variações rápidas de aceleração e desaceleração são mais relevantes no desencadeamento do enjoo. "O carro elétrico acelera muito rápido e, quando a pessoa tira o pé do acelerador, a regeneração funciona como um freio. É como se fosse um novo solavanco".
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