Suspeita de maus-tratos contra criança autista em creche de Rio das Ostras chega à polícia | Rio das Ostras Jornal

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Suspeita de maus-tratos contra criança autista em creche de Rio das Ostras chega à polícia


Família registrou ocorrência na 128ª DP; Prefeitura abriu apuração e afirma que não admite violência contra crianças. COMDEF/RO poderá acompanhar o caso na defesa dos direitos da pessoa com deficiência

Uma denúncia envolvendo uma criança autista matriculada na Creche Municipal Tia Didi, no bairro Âncora, em Rio das Ostras, passou a ser investigada pela Polícia Civil. O caso foi registrado na 128ª Delegacia de Polícia e envolve suspeitas de maus-tratos que teriam ocorrido entre os dias 3 e 10 de setembro.

Segundo informações obtidas pelo Rio das Ostras Jornal, a família apresentou à polícia elementos que serão analisados durante a investigação, entre eles um áudio que, de acordo com os responsáveis, registraria uma profissional da unidade dirigindo-se à criança de maneira considerada inadequada. A origem e o conteúdo do material ainda fazem parte da apuração.

A criança, que está no espectro autista e possui limitações importantes de comunicação, também foi encaminhada para exame de corpo de delito. A investigação deverá avaliar as circunstâncias relatadas pela família e ouvir as pessoas que possam contribuir para o esclarecimento dos fatos.

O caso ganhou repercussão depois que a mãe tornou pública a denúncia e buscou providências diante do que afirma ter acontecido com a filha. Em novo relato divulgado pela família, ela informou que foi recebida pela Secretaria Municipal de Educação após o caso chegar ao conhecimento do prefeito Carlos Augusto e disse ter sido acolhida durante a reunião.

Segundo a mãe, representantes da Secretaria de Educação, incluindo a secretária, assessoria e equipe jurídica, apresentaram encaminhamentos para o caso. Ela afirmou ainda que continuará aguardando a conclusão da investigação policial e as providências da Justiça.

Prefeitura afirma que adotará medidas

A Prefeitura de Rio das Ostras informou que não tolera situações de violência, maus-tratos ou qualquer conduta que viole os direitos de crianças e adolescentes.

De acordo com o posicionamento divulgado pelo município, uma apuração administrativa também foi iniciada para verificar os fatos. Caso sejam confirmadas irregularidades, poderão ser adotadas as medidas administrativas e legais cabíveis.

O município também informou que continuará acompanhando a situação e prestará novos esclarecimentos conforme o avanço das investigações, respeitando o sigilo necessário para preservar a criança e a própria apuração.

Polícia investiga suspeita de maus-tratos

O registro feito na 128ª DP enquadra inicialmente a ocorrência como suspeita de maus-tratos, com referência ao artigo 136 do Código Penal. A investigação ainda está em andamento e a responsabilização de qualquer pessoa dependerá da apuração dos fatos e das conclusões das autoridades competentes.

A cautela é especialmente importante por envolver uma criança e uma pessoa com deficiência. Além da proteção da vítima, a investigação precisa preservar sua imagem, sua privacidade e sua dignidade, evitando exposição desnecessária durante o processo.

COMDEF/RO pode acompanhar a defesa dos direitos da criança

Diante da condição da estudante e da natureza da denúncia, o caso também chama a atenção para o papel do Conselho Municipal dos Direitos da Pessoa com Deficiência de Rio das Ostras (COMDEF/RO).

Criado por legislação municipal, o Conselho é um órgão permanente, com participação do poder público e da sociedade civil, e possui atribuições relacionadas à defesa e fiscalização das políticas públicas destinadas às pessoas com deficiência. Entre suas competências está o recebimento de reclamações e denúncias para avaliação dos conselheiros e definição das providências cabíveis.

A atual composição do COMDEF/RO corresponde ao biênio 2026/2027 e inclui representantes de diferentes segmentos da população com deficiência, entre eles o segmento de pessoas do espectro do autismo.

Por isso, o Rio das Ostras Jornal considera importante que o Conselho também possa acompanhar o caso, dentro de suas atribuições, contribuindo para que os direitos da criança sejam preservados e para que eventuais falhas na garantia da inclusão e da proteção sejam devidamente analisadas.

O objetivo não é antecipar qualquer conclusão sobre a denúncia, mas garantir que a situação seja acompanhada pelas instituições responsáveis, com transparência, respeito à família e, principalmente, proteção integral da criança.

Investigação continua

Enquanto a Polícia Civil prossegue com a apuração e a Prefeitura realiza sua análise administrativa, a família aguarda respostas sobre o que efetivamente aconteceu dentro da unidade de ensino.

O caso reforça a necessidade de atenção permanente à proteção de crianças com deficiência nos espaços educacionais. Mais do que apurar uma denúncia específica, a situação coloca em evidência a responsabilidade de garantir que estudantes autistas tenham acesso à educação em ambiente seguro, respeitoso, inclusivo e livre de qualquer forma de violência.

O Rio das Ostras Jornal continuará acompanhando o caso e buscará atualizar a população sobre os próximos encaminhamentos das autoridades, preservando a identidade e a dignidade da criança.

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