
Em Rio das Ostras e em toda a Região dos Lagos, um erro comum pode custar caro para quem tem o celular molhado: o uso do arroz para tentar secar o aparelho. Especialistas alertam que essa prática, amplamente difundida, não só é ineficaz como pode causar danos irreversíveis aos componentes internos dos smartphones.
Apesar de o arroz absorver umidade superficial, ele não alcança a água infiltrada profundamente no aparelho. Além disso, o pó liberado pelos grãos pode entrar em portas, microfones, alto-falantes e conectores, criando um problema que não existia antes e agravando a situação do seu eletrônico.
Por que o arroz é um risco para seu smartphone?
A crença de que o arroz pode salvar um celular molhado tem uma base, mas é mal aplicada. O arroz é, de fato, um material dessecante capaz de absorver umidade, propriedade que o torna útil em saleiros para evitar que o sal empedre. No entanto, a complexidade de um smartphone exige uma abordagem diferente.
A água que penetra por aberturas como a porta USB ou os alto-falantes pode atingir a placa lógica e outros componentes microscópicos, onde o arroz não tem capacidade de “puxar” essa umidade. Valter Klein Junior, engenheiro eletricista e professor da Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUCPR), explica: “O arroz consegue absorver a umidade superficial do aparelho. No entanto, ele não tem capacidade de sucção para puxar a água que já se alojou profundamente nos componentes internos”.
Um agravante significativo é o pó de arroz. Ao manipular os grãos, pequenas partículas de amido se desprendem e podem facilmente entrar nas mesmas aberturas por onde a água penetrou. Dentro do aparelho, essa mistura de amido e água pode formar uma pasta.
Segundo Junior, essa pasta úmida ganha características condutoras de eletricidade, criando caminhos indesejados na placa eletrônica e favorecendo curtos-circuitos. A presença de água e contaminantes também acelera a oxidação e a corrosão dos contatos metálicos, como os de cobre, o que pode levar a falhas no aparelho meses depois do incidente.
O que fazer imediatamente após o celular cair na água?
A primeira e mais crucial medida ao molhar o smartphone é desligá-lo o mais rápido possível. Enquanto o aparelho está energizado, a água em locais inadequados pode facilitar a passagem de corrente elétrica entre os componentes, aumentando o risco de curtos-circuitos e corrosão. Quanto mais tempo o circuito permanecer ativo nessas condições, maiores as chances de danos graves.
Para desligar o aparelho, use o comando virtual se a tela ainda estiver responsiva. O professor Junior orienta: “Deve-se evitar ao máximo pressionar botões físicos, como os de volume ou o próprio liga/desliga mecânico”. A pressão pode empurrar a água acumulada nas frestas para regiões mais profundas ou fechar um circuito em um momento crítico.
Após desligar, resista à tentação de ligar o aparelho novamente para verificar se funciona. Esse teste, aparentemente inofensivo, pode transformar um celular que ainda tinha possibilidade de recuperação em um equipamento com danos elétricos irreversíveis. A paciência é fundamental neste momento.
Remoção de excesso e secagem controlada
Com o aparelho desligado, o passo seguinte é remover o excesso de água da parte externa. Use uma toalha macia ou um pano que não solte fiapos para secar cuidadosamente a superfície. O objetivo é retirar a água externa sem empurrá-la para dentro. Remova também acessórios e, se possível e seguro, componentes externos.
Em seguida, o celular deve ser colocado em um local seco, arejado, à sombra e em temperatura ambiente. A ideia é permitir que a umidade evapore gradualmente, sem submeter o aparelho a calor excessivo ou pressão. Evite o uso de secadores de cabelo, que podem elevar a temperatura dos componentes e empurrar a água para dentro.
Entre as alternativas domésticas, a sílica gel é mais recomendada que o arroz. Por ser um material dessecante, ela ajuda a criar um ambiente mais seco. Coloque o aparelho desligado e seco externamente em um recipiente fechado com sachês de sílica gel. Diferente do arroz, a sílica em sachês não libera pó diretamente sobre as portas e componentes, minimizando riscos. No entanto, a sílica gel apenas auxilia na remoção gradual da umidade, não sendo uma solução instantânea.
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