
A Petrobras, gigante do setor de energia com forte presença e impacto na economia brasileira e em regiões produtoras como Macaé e a Região dos Lagos, anunciou que suas exportações de petróleo para a China devem retornar aos patamares habituais nos próximos meses. A expectativa foi comunicada por Angélica Laureano, diretora-executiva de Logística, Comercialização e Mercados da estatal, que vê uma reversão no cenário de queda registrado recentemente.
A declaração foi feita a jornalistas durante uma teleconferência sobre os resultados do segundo trimestre de 2026. Segundo Laureano, a empresa acredita que o mercado já está se ajustando, o que levará a um aumento nas compras chinesas nos meses vindouros, um alívio para o fluxo comercial da companhia.
Queda nas exportações e os motivos por trás
No segundo trimestre de 2026, as exportações de petróleo da Petrobras para o país asiático sofreram uma retração significativa de aproximadamente 37% em comparação com os três primeiros meses do ano. A participação chinesa nos embarques da estatal despencou de 62% para 35%, representando uma diminuição estimada em cerca de 202 mil barris por dia – um volume superior ao total de vendas para a Europa no mesmo período.
A Petrobras atribuiu essa movimentação a uma série de fatores complexos. Um dos principais foi a tentativa da China de se proteger da escalada das cotações internacionais do petróleo, impulsionadas por eventos geopolíticos como a guerra no Irã e as restrições no estratégico estreito de Ormuz, que impactaram diretamente os preços globais.
Além disso, a diretora Angélica Laureano explicou que a redução das compras chinesas foi resultado de uma combinação de fatores internos do país asiático. Houve uma diminuição no processamento de petróleo em suas refinarias, restrições nas exportações de derivados e uma retração na demanda interna por combustíveis. Com menor necessidade de processamento, a China reduziu suas importações e passou a consumir parte de seus estoques comerciais, um movimento temporário que, segundo a Petrobras, está sendo revertido.
Cenário global e estratégia de diversificação
A retração nas compras de petróleo não afetou apenas a Petrobras. Dados da Administração Geral da Alfândega chinesa revelaram que as importações de petróleo bruto do país caíram 41,3% em junho de 2026, em relação ao mesmo mês de 2025, atingindo 29,3 milhões de toneladas – o menor volume mensal desde outubro de 2016. No mesmo período, o preço médio do barril importado pela China subiu 55%, alcançando US$ 105,40, evidenciando a pressão dos custos.
Apesar da diminuição nas vendas para a China, as exportações totais de petróleo da Petrobras demonstraram resiliência, crescendo 12,2% no trimestre, totalizando 996 mil barris por dia. A estatal conseguiu compensar a redução no mercado chinês ao intensificar e diversificar seus embarques para outros mercados estratégicos, como Índia, Europa e outros países da Ásia, demonstrando a capacidade de adaptação da companhia em um cenário global volátil.
A expectativa de normalização das vendas para a China é uma notícia positiva para a Petrobras e para o setor de petróleo e gás, que tem grande relevância para o Norte Fluminense e a Costa do Sol. A recuperação da demanda chinesa é vista como um fator crucial para a estabilidade e o crescimento do mercado global de petróleo nos próximos meses.
O Rio das Ostras Jornal acompanha o caso.
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