
A Sheikha Al Mayassa bint Hamad bin Khalifa Al Thani, figura central na transformação cultural do Catar, compartilha sua visão sobre como a arte e a diplomacia se entrelaçam para construir uma estratégia de poder e desenvolvimento humano. Filha do ex-emir e irmã do atual chefe de Estado, ela lidera há mais de duas décadas uma ambiciosa iniciativa que posicionou o Catar como um polo cultural global, com reflexos e inspirações que alcançam até mesmo a Região dos Lagos, no Norte Fluminense.
Com uma formação que abrange ciência política, literatura e planejamento urbano pela Columbia University, Al Mayassa inicialmente almejava uma carreira diplomática tradicional. Contudo, ela descobriu na cultura uma via alternativa e igualmente potente para exercer a diplomacia, afirmando que a arte "traz uma dimensão que a política não traz", promovendo diálogo e compreensão mútua de forma não hierárquica.
Cultura Catar: Diplomacia e Desenvolvimento Humano
O investimento cultural do Catar, sob a liderança de Al Mayassa, não visa apenas aprimorar a imagem do país ou atrair turistas. Ele é parte integrante de um projeto maior de desenvolvimento humano, focado na construção de uma sociedade baseada no conhecimento e no orgulho de sua história. A diplomacia, segundo a Sheikha, é o coração dessa estratégia, buscando unir pessoas e mediar a paz através do diálogo e do respeito.
Durante sua recente visita ao Brasil, a convite do empresário francês Alex Allard, idealizador do Mata São Paulo, Al Mayassa explorou parcerias para um projeto similar em Doha, o Al Maha. Ela também aproveitou a oportunidade para se conectar com lideranças criativas locais e visitou o renomado Instituto Inhotim, em Brumadinho, Minas Gerais, buscando inspiração e troca de experiências.
Em entrevista à Forbes Brasil, a Sheikha Al Mayassa detalhou a influência de seus pais, que a educaram em um universo de literatura, cinema, teatro e música. Essa imersão desde cedo a conectou profundamente com a cultura, a história e a arqueologia, elementos que considera enraizados na identidade de sua família e do próprio Catar.
A Origem de um Projeto Visionário
A paixão de Al Mayassa pela cultura e seu papel na sociedade ganhou forma após os eventos de 11 de Setembro, quando, estudando nos Estados Unidos, ela buscou compreender a civilização islâmica para combater estereótipos. A leitura do livro Leão Africano, de Amin Maalouf, a inspirou a querer transformar a história de tolerância e coexistência islâmica em um filme, apresentando-a como tese de graduação aos seus pais.
Embora seu desejo inicial fosse ser diplomata, seu pai, o então emir, percebeu seu interesse artístico e a encarregou do desafiador projeto do Museu de Arte Islâmica. Essa responsabilidade a levou a aprofundar seus estudos em Nova York, focando no impacto das instituições culturais no contexto socioeconômico e no planejamento urbano.
A Sheikha Al Mayassa também lidera projetos de resgate cultural, como o Instituto de Cinema, criado há 16 anos. A iniciativa apoia cineastas do mundo árabe, Sudeste Asiático, África e do Sul Global, regiões com pouca indústria cinematográfica. O objetivo é capacitar talentos para que contem suas próprias histórias, com suas próprias vozes, preservando o patrimônio cultural enquanto se adaptam às mudanças sociais.
Para ela, arte e política são indissociáveis. A cultura oferece um espaço de diálogo acessível a todas as origens e classes sociais, sem a rigidez da política formal. Essa abordagem tem sido fundamental para a formação da estratégia cultural do Catar, que, apesar de ser um país pequeno, busca unir pessoas e promover a paz global através do respeito e da compreensão mútua. O Rio das Ostras Jornal continua acompanhando as tendências globais que podem inspirar o desenvolvimento regional.
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