
Enquanto gigantes globais como Google e Amazon cortam pessoal devido à inteligência artificial, o iFood, com forte presença em Rio das Ostras e Macaé, adota estratégia oposta. A empresa de delivery não só ampliou o uso da IA, mas também aumentou seu quadro de funcionários, desafiando o temor de demissões que atinge grande parte dos trabalhadores no Brasil e na Região dos Lagos.
Em seis anos, o iFood saltou de 2 mil para 8 mil colaboradores, carinhosamente chamados de "FoodLovers", até o fim de 2024. Paralelamente, 27 mil agentes de inteligência artificial foram integrados aos processos da companhia, atuando em sinergia com a equipe humana. Essa expansão reflete uma visão estratégica de que a IA pode complementar, e não substituir, o trabalho das pessoas, gerando valor e inovação.
A Estratégia do iFood com a Inteligência Artificial
Raphael Bozza, VP de Pessoas do iFood, detalha a abordagem da empresa. Segundo ele, boa parte do investimento em IA (cerca de 85%) resulta em pequenos ganhos diários, como a consolidação de notícias. Cerca de 13% impactam diretamente os times, proporcionando análises mais padronizadas e rápidas. No entanto, são os 2% restantes que realmente "mudam o ponteiro" do iFood, gerando resultados substanciais.
Admitir que apenas uma pequena fatia do investimento em tecnologia move os resultados é um posicionamento raro no mundo corporativo, onde a IA é frequentemente vendida como uma revolução imediata. É com base nessa análise realista que o iFood planeja seus próximos passos, focando em um crescimento sustentável e na valorização do capital humano.
Apesar do crescimento recente nas contratações, a perspectiva da empresa é manter o patamar de 8 mil funcionários por um período, enquanto intensifica o uso da IA. O foco principal é investir na formação e capacitação das equipes para que aprendam a potencializar essas ferramentas. "As empresas são mensuradas como grandes ou pequenas pelo número de colaboradores, e eu acho que esse não é o caminho. O caminho é discutir muito mais o impacto que você está gerando com essas pessoas", afirma Bozza, destacando a importância da produtividade e do valor gerado.
Atualmente, 92% dos funcionários do escritório do iFood utilizam ferramentas baseadas em inteligência artificial. Para alcançar esse índice, todos passaram por um processo de apresentação dos potenciais da tecnologia, seguido por workshops e bootcamps práticos. A adoção se tornou mais fácil ao demonstrar que a IA pode assumir tarefas repetitivas, liberando os colaboradores para atividades mais complexas e estratégicas.
Formação e Atração de Talentos em IA
O apelo de uma empresa de tecnologia com mais de 60 milhões de usuários é evidente, especialmente entre jovens talentos. No ano passado, o programa de estágio GenAI do iFood atraiu impressionantes 20 mil candidatos para apenas 10 vagas iniciais na área de tecnologia. Devido à alta qualidade dos inscritos, o número de aprovados foi ampliado para 31, todos alinhados ao perfil buscado pela empresa.
"Não é só sobre preparar esses jovens. Nós também temos que aprender com eles. Eles trabalham e resolvem problemas de forma diferente", explica Bozza, ressaltando a troca de conhecimentos e a valorização de novas perspectivas. Além de contratar e apostar em jovens, o iFood desenvolveu estratégias internas, como um programa de multiplicadores, que hoje conta com 100 funcionários dedicados a aumentar o uso da tecnologia em suas respectivas áreas.
O executivo defende que a área de Pessoas deve assumir um papel central para transformar a IA em algo verdadeiramente transformacional para a organização. O iFood já contrata analistas, cientistas e engenheiros de dados com funções 100% focadas em IA. Além disso, a empresa está testando a função de "super IC" (Contribuidores Individuais), com sete profissionais de alta senioridade dedicados a resolver problemas complexos da empresa com o apoio irrestrito de ferramentas de IA.
Inteligência Artificial Chega às Ruas do Brasil
A influência da IA no iFood não se restringe aos escritórios. Ela impacta diretamente a vida de uma categoria essencial para o negócio de delivery: os entregadores. As melhorias contínuas estão relacionadas ao aplicativo utilizado pelos parceiros, visando otimizar rotas, tempo de entrega e a experiência geral de trabalho.
Bozza enfatiza o desejo de estender a experiência dos 8 mil colaboradores com IA para beneficiar quem está nas ruas do Norte Fluminense e de todo o Brasil. "Hoje nós temos 600 mil entregadores dentro da estrutura do iFood e o nosso olhar sobre o uso da IA precisa impactar entregadores, parceiros e consumidores. Tudo que a gente constrói tem que gerar resultado", afirma o VP de Pessoas, reforçando o compromisso da empresa com toda a sua cadeia de valor.
O Rio das Ostras Jornal acompanha as inovações que moldam o mercado de trabalho na Região dos Lagos e no Norte Fluminense. Para mais detalhes sobre a estratégia do iFood, clique aqui.
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