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A fronteira entre o Nepal e o Tibete foi palco de uma devastadora avalanche de lama nesta quarta-feira, resultando em um cenário de destruição e desespero. Em meio ao caos, um funcionário de uma usina hidrelétrica, Vivek Shrestha, registrou em vídeo a sua fuga e a de colegas da fúria da natureza, imagens que rapidamente viralizaram nas redes sociais.
A tragédia, que já contabiliza centenas de mortos e desaparecidos, transformou vales inteiros, arrastando pontes, cobrindo edifícios e engolindo vilas em uma das regiões mais montanhosas do mundo. O registro de Shrestha captura a transição da calma à percepção iminente do perigo, culminando em uma corrida desesperada pela sobrevivência.
Impacto Devastador e Cenário de Perdas Humanas
A avalanche repentina, que atingiu diversos locais na fronteira, deixou um rastro de devastação. As autoridades do Nepal informaram a recuperação de 160 corpos em sete localidades distintas, com um número alarmante de 579 desaparecidos. Do lado do Tibete, foram confirmados 3 mortos e 265 desaparecidos. A área afetada é uma região de fronteira com apelo turístico, conectando diversas cidades e vilas, e abrigando usinas hidrelétricas e um importante porto.
O Conselho de Turismo do Nepal revelou que 384 viajantes que estavam no país, incluindo 341 estrangeiros, estão desaparecidos após a inundação. A avalanche atingiu Syabrubesi, ponto de partida da famosa trilha do Langtang, e outras áreas frequentadas por peregrinos. O Itamaraty ainda não havia informado se havia brasileiros entre os desaparecidos. Em Rasuwa, um dos distritos mais afetados, com cerca de 50 mil habitantes, a profissional de saúde Tula Bahadur BK descreveu à Reuters: “Há devastação por toda parte. Os assentamentos próximos ao rio foram completamente destruídos”.
A Fuga Desesperada Capturada em Vídeo
As imagens publicadas por Vivek Shrestha em seu Instagram se tornaram um símbolo da tragédia, sendo vistas por mais de 36,6 milhões de pessoas. Inicialmente, ele filmava a aproximação da inundação com aparente calma. No entanto, ao perceber a força avassaladora da água e o risco iminente, ele e seus colegas iniciam uma corrida e escalada desesperadas para se protegerem em um ponto mais alto da montanha.
Na legenda de seu vídeo, Vivek escreveu: “Hoje houve uma enchente em Mailung, em Rasuwa, e estou em estado grave. Fui resgatado de helicóptero”. Ele ainda compartilhou outros dois vídeos: um mostrando a força da água em segurança, e outro com ele e os colegas à espera do resgate, à beira do rio quase sem água, mas coberto de lama. Outros registros chocantes incluem passageiros de um ônibus gritando em desespero ao ver a avalanche se aproximar, e a destruição completa do porto de Gyirong, na aldeia de Resuo, no território chinês.
Vulnerabilidade Geográfica e Causas Potenciais
A região do Himalaia, onde o Nepal e o Tibete se encontram, é conhecida por seu terreno acidentado e íngreme, abrigando oito dos 14 picos mais altos do mundo, incluindo o Everest. Especialistas especulam que a tragédia pode ter relação direta com uma Inundação por Rompimento de Lago Glaciar (GLOF), um fenômeno que ocorre quando lagos glaciares, formados pelo derretimento acelerado dos Himalaias, transbordam ou se rompem. O Nepal está entre os países mais vulneráveis a esse tipo de desastre.
Inundações e deslizamentos são frequentes durante a monção de verão, que se estende de junho a setembro na Ásia do Sul. Inicialmente, as autoridades chegaram a suspeitar que um terremoto de magnitude 4,4 teria provocado o deslizamento, mas o Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS) corrigiu a informação, atribuindo o evento a um deslizamento de terra. O vale do Rio Bhote Koshi já havia sofrido uma inundação semelhante em julho de 2025, que deixou 17 pessoas desaparecidas, reforçando a suspeita de que a mega avalanche atual possa ter sido intensificada pelo rompimento de lagos glaciares.
Mobilização para Resgate e Recuperação
Diante da magnitude do desastre, o primeiro-ministro do Nepal, Balendra Shah, afirmou que policiais e militares estão unindo forças nos esforços de resgate. O Exército nepalês conseguiu resgatar 88 pessoas até o momento. A devastação é generalizada, com dezenas de casas destruídas, carros flutuando e pontes sendo levadas pela correnteza do Rio Trishuli. No condado de Gyirong, no Tibete, um deslizamento atingiu uma passagem de terra entre os dois países, com vários desaparecidos, incluindo oito sul-coreanos que trabalhavam em uma usina hidrelétrica.
A tragédia sublinha a extrema vulnerabilidade das comunidades localizadas nas cadeias montanhosas do Himalaia, um cenário que o Rio das Ostras Jornal continua a acompanhar, trazendo as informações mais relevantes sobre desastres naturais e seus impactos globais.
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