
Em uma iniciativa crucial para a Região dos Lagos, Casimiro de Abreu sediou, nesta terça-feira, dia 4, um encontro significativo focado no debate sobre a violência contra a mulher. Reunindo lideranças religiosas de diversas instituições da cidade, o evento, parte da programação do Agosto Lilás, buscou fortalecer o papel das comunidades de fé no acolhimento e proteção de vítimas.
Promovida pelo Centro Especializado de Atendimento à Mulher (CEAM) e pela Patrulha Maria da Penha, em parceria com a Polícia Civil, a formação intitulada “Lideranças Religiosas no Acolhimento de Mulheres em Situação de Violência” ocorreu no CineTeatro Meus Oito Anos. O objetivo principal foi informar e sensibilizar a comunidade religiosa sobre a complexidade da violência de gênero, capacitando esses espaços para identificar, acolher e encaminhar corretamente as mulheres em situação de vulnerabilidade para a rede de proteção municipal.
Durante a programação, foram apresentados dados alarmantes sobre a violência de gênero e um breve histórico da Lei Maria da Penha, que celebra 20 anos no próximo dia 7 de agosto. As palestras abordaram os diferentes tipos de violência previstos na legislação, contando com a expertise de figuras como Anna Carolina Sobrinho, coordenadora da Coordenadoria da Mulher; Ariana Barbosa, coordenadora da Patrulha Maria da Penha; Viviane Class, psicóloga do CEAM; e a Dra. Carla Tavares, delegada titular da 121ª Delegacia de Polícia de Casimiro de Abreu.
A relevância do engajamento religioso é sublinhada por dados do Instituto de Pesquisa Data Senado e da Secretaria de Transparência do Senado Federal, divulgados em novembro de 2025. Esses estudos indicam que as igrejas são o segundo principal local onde mulheres em situação de violência buscam ajuda, ficando atrás apenas da própria família. A realidade local de Casimiro de Abreu reforça essa necessidade: das 111 mulheres atendidas pelo CEAM em 2025, 73 declararam possuir alguma religião, evidenciando a importância da capacitação das lideranças religiosas para um acolhimento humanizado e um encaminhamento eficaz aos serviços especializados.
A delegada Carla Tavares enfatizou o papel crucial das igrejas na proteção das vítimas. “Sabemos que a igreja é o segundo local onde essas mulheres buscam ajuda. Por isso, é fundamental que as lideranças estejam preparadas para acolher e orientar. Não se trata de dizer à mulher se ela deve ou não permanecer no relacionamento, nem de se omitir diante de um crime. O mais importante é encaminhá-la para a rede de proteção, como o CEAM e a Patrulha Maria da Penha, onde há profissionais capacitados para oferecer o atendimento adequado a cada situação”, destacou a delegada.
A ação terá continuidade, com um novo encontro já agendado para atender representantes religiosos que não puderam participar desta edição. Além disso, a formação será estendida ao distrito de Barra de São João, que, juntamente com a sede do município, registra o maior número de casos de violência doméstica em Casimiro de Abreu, reforçando o compromisso da cidade e de toda a região do Norte Fluminense com a segurança e o bem-estar das mulheres. Para mais informações sobre as iniciativas da prefeitura, clique aqui.
O Rio das Ostras Jornal acompanha as ações de combate à violência na Costa do Sol e em todo o Interior do RJ.
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