Rio de Janeiro: Pedestres em alerta contra motos e bicicletas nas calçadas | Rio das Ostras Jornal

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Rio de Janeiro: Pedestres em alerta contra motos e bicicletas nas calçadas

Rio de Janeiro: Pedestres em alerta contra motos e bicicletas nas calçadas

No Rio de Janeiro, a segurança dos pedestres está sob ameaça diária. Motociclistas, ciclistas e usuários de patinetes ignoram as leis de trânsito, avançando sinais, trafegando na contramão e invadindo calçadas, causando acidentes e colocando vidas em risco constante em toda a capital fluminense.

O cenário de desrespeito se repete em diversos bairros, da Zona Norte à Zona Sul. O avanço de sinal vermelho e a circulação em vias de sentido único ou calçadas se tornaram rotina, forçando pedestres a desviar e, muitas vezes, a correr para evitar colisões graves. A situação é um alerta para a Região dos Lagos e todo o Norte Fluminense, onde o fluxo de veículos de duas rodas também é intenso.

A Rotina de Risco nas Ruas e Calçadas

A imprudência é visível: cruzamentos perigosos são ignorados, quarteirões inteiros são cortados na contramão e ruas de sentido único se transformam em vias de duplo sentido informais. Além disso, bicicletas elétricas modificadas e ciclomotores de alta velocidade invadem o espaço dos ciclistas convencionais, tornando o pedal de lazer ou transporte uma atividade de alto risco.

O pior é que, ao reclamar, pedestres frequentemente são alvo de xingamentos. Os idosos, em particular, são os mais afetados por essa falta de educação e respeito. A professora aposentada Maria da Glória Carvalho, de 60 anos, vivenciou isso ao ser atropelada por uma ciclista na Rua da Glória, no centro do Rio, durante o Carnaval. A ciclista, que trafegava na contramão, ainda alegou que "bicicleta não tem mão", contrariando o Código de Trânsito Brasileiro (CTB), que exige que bicicletas sigam o fluxo dos carros e só circulem em calçadas se sinalizado ou se o condutor estiver desmontado.

O Impacto Devastador nos Mais Vulneráveis

Enquanto Maria da Glória teve sorte, inúmeras pessoas dão entrada em hospitais vítimas desses acidentes. Dados recentes apontam uma explosão nas ocorrências envolvendo veículos de duas rodas. O Corpo de Bombeiros atendeu mais de 20 mil ocorrências com motos no estado apenas nos primeiros meses deste ano. Nas emergências municipais do Rio, sete em cada dez vítimas de acidentes de trânsito estavam sobre duas rodas. O impacto colateral, no entanto, recai sobre o mais fraco, especialmente o idoso, que possui reflexos mais reduzidos.

A geriatra Priscilla Guerra, especialista pela UFJF, Hospital Sírio-Libanês e Universidade do Porto, destaca a vulnerabilidade dos idosos. "Idosos são especialmente mais vulneráveis a esse tipo de acidente porque o impacto de uma colisão, mesmo em baixa velocidade, causa muito mais dano que em pessoas mais jovens. Isso ocorre porque eles têm massa óssea e muscular reduzidas, reflexos mais lentos e menor capacidade de equilíbrio para evitar a queda", afirma a profissional.

Uma fratura de quadril ou fêmur, comum em quedas ou atropelamentos, pode significar meses de imobilidade e perda de autonomia, muitas vezes levando a um declínio funcional irreversível. "Não é exagero dizer que um atropelamento que para um jovem seria apenas um susto pode ser, para um idoso, um evento que muda o curso do resto de sua vida", conclui a especialista, reforçando a urgência de maior atenção e respeito no trânsito da Costa do Sol e outras regiões.

Fiscalização e Casos de Destaque no Rio de Janeiro

A Guarda Municipal do Rio de Janeiro informou que atua diariamente para coibir irregularidades, principalmente o uso irregular das calçadas por motociclistas. De janeiro a julho deste ano, foram aplicadas 2.875 multas por circulação em calçadas e 4.175 por trafegar na contramão. A infração é gravíssima, com multa de R$ 293,47. No entanto, a população clama por uma fiscalização mais eficaz, já que até carros são flagrados na contramão.

O problema não se restringe ao anonimato. Em 2023, a campeã pan-americana de triatlo Luisa Baptista foi atropelada por um motociclista sem habilitação que estava na contramão em São Carlos, São Paulo. Ela ficou dois meses em coma e mais de 160 dias internada. O condutor foi condenado a 9 anos de prisão por tentativa de homicídio. Também em 2023, o ator Marcos Caruso foi xingado ao reclamar com um ciclista, evidenciando a agressividade no trânsito.

A situação exige uma reflexão sobre a convivência no trânsito e a necessidade de respeito mútuo para garantir a segurança de todos, especialmente dos mais vulneráveis, em cidades como Rio das Ostras e Macaé.

Para mais informações sobre o Código de Trânsito Brasileiro, consulte o Detran-RJ.

O Rio das Ostras Jornal acompanha o caso e as discussões sobre segurança no trânsito na Região dos Lagos e no Interior do RJ.

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