
O Sistema Único de Saúde (SUS) começa a aplicar a vacina Pneumo 20 a partir da segunda quinzena de junho, um marco na saúde pública que promete ampliar significativamente a proteção de crianças e grupos prioritários em todo o Brasil, incluindo a Região dos Lagos e o Norte Fluminense. O anúncio foi feito pelo ministro da Saúde, Alexandre Padilha, nesta quarta-feira (3), destacando a chegada do novo imunizante às Unidades Básicas de Saúde (UBS).
A nova vacina pneumocócica conjugada 20-valente (VPC20), conhecida como Pneumo 20, é uma inovação no calendário de imunização do SUS. Ela substitui a versão 10-valente, dobrando a defesa contra 20 sorotipos da bactéria Streptococcus pneumoniae, principal causadora de doenças graves como pneumonia, meningite e sepse, que resultam em hospitalizações, sequelas e óbitos.
Nova Proteção Contra Doenças Graves
A doença pneumocócica, causada pela bactéria Streptococcus pneumoniae, pode manifestar-se em quadros leves, como inflamação no ouvido ou sinusite, ou evoluir para condições severas. Estima-se que o pneumococo seja responsável por até 50% dos casos de meningite bacteriana em crianças, com uma taxa de mortalidade de aproximadamente 30%.
Além das crianças pequenas, idosos, pessoas com comorbidades ou imunossupressão também são considerados mais vulneráveis à infecção. A Organização Mundial da Saúde (OMS) aponta a doença pneumocócica como a maior causa de mortalidade infantil por doença prevenível globalmente.
No Brasil, dados recentes são alarmantes: entre 2023 e 2025, foram registrados 4,6 mil casos de meningite pneumocócica e 1,4 mil óbitos. No grupo de crianças menores de 5 anos, foram 616 casos e 188 mortes no mesmo período. O grande diferencial da Pneumo 20 é sua capacidade de ampliar a proteção imunológica, especialmente contra os sorotipos 3, 6A e 19A, que são os mais associados à pneumonia invasiva e não eram cobertos pela formulação anterior.
Histórico e Impacto da Vacinação
A inclusão da vacinação contra a doença pneumocócica no calendário básico infantil, com a VPC10 em 2010, já demonstrou resultados positivos, com uma redução de 60% nos casos de doença pneumocócica invasiva em crianças de até dois anos e uma queda de 65% nos casos de meningite pneumocócica na mesma faixa etária. No entanto, nos últimos anos, houve um crescimento preocupante nos casos.
A média anual de meningite pneumocócica em crianças de até 5 anos subiu de 164 casos (2013-2019) para 211,3 casos (2022-2024). Quase 40% dos casos graves registrados entre 2018 e 2023 foram causados por tipos da bactéria não prevenidos pela VPC10, o que reforça a urgência e a importância da nova vacina.
O Ministério da Saúde já iniciou a distribuição das primeiras 514 mil doses, com a expectativa de disponibilizar mais de 6,1 milhões de doses ainda este ano. A vacinação será implementada nos estados e municípios, incluindo cidades como Rio das Ostras e Macaé, à medida que os imunizantes forem recebidos.
Quem Pode Receber a Nova Vacina
A Pneumo 20 será ofertada para diversos grupos prioritários, visando uma proteção abrangente. São eles:
- Crianças menores de 5 anos;
- Povos indígenas maiores de 5 anos de idade (sem histórico vacinal com pneumo conjugada);
- Idosos com 60 anos ou mais acamados e/ou institucionalizados;
- Pessoas com condições clínicas especiais, atendidas nos Centros de Referência para Imunobiológicos Especiais (CRIE).
Durante o período de transição, o esquema vacinal para crianças seguirá um modelo combinado: uma dose da Pneumo 20 aos 2 meses, uma dose da Pneumo 10 aos 4 meses e um reforço da Pneumo 20 aos 12 meses, com intervalo mínimo de 60 dias entre a segunda dose e o reforço. As vacinas VPC13 e VPP23 serão utilizadas em estratégias diferenciadas até o fim dos estoques. Após o esgotamento das doses da Pneumo 10, o esquema passará a utilizar exclusivamente a Pneumo 20.
Acompanhamento e Cobertura Vacinal
O Ministério da Saúde tem trabalhado intensamente na recuperação das coberturas vacinais infantis, revertendo a tendência de queda observada até 2022. A cobertura do esquema básico contra doenças pneumocócicas, por exemplo, passou de 90,01% em 2023 para 93,22% em 2024 e 93,45% em 2025. Em 2026, a cobertura parcial acumulada já alcança 86,33%.
Para facilitar o acompanhamento, pais e responsáveis podem verificar o histórico de vacinação de seus filhos em tempo real através da Caderneta Digital de Saúde da Criança, disponível no aplicativo Meu SUS Digital. O ministro Padilha reforçou o compromisso do governo em vencer o negacionismo e fortalecer o Programa Nacional de Imunização.
O Rio das Ostras Jornal acompanha a implementação desta importante campanha de vacinação na Costa do Sol e em todo o Interior do RJ.
Fonte: agenciabrasil.ebc.com.br
0 comentários:
Postar um comentário
Obrigado pelo seu comentario.
Fique sempre ligado do que acontece em nossa cidade!