
Em um caso que desafia a medicina e a lógica das expedições de alta montanha, o guia nepalês Dawa Sherpa foi encontrado com vida após passar seis dias desaparecido no Monte Everest. Considerado morto por colegas e familiares, o experiente alpinista foi localizado por uma equipe de limpeza enquanto rastejava em direção ao Acampamento Base, em uma demonstração de resistência física sem precedentes na história da montanha mais alta do mundo.
A sobrevivência na zona da morte
Dawa Sherpa, de 52 anos, foi visto pela última vez em 4 de junho de 2026, acima do Acampamento 3, a uma altitude de aproximadamente 7,5 mil metros. O local, conhecido como zona da morte, possui níveis de oxigênio extremamente baixos, tornando a sobrevivência humana por um período prolongado um cenário quase impossível. Especialistas acreditam que ele possa ter buscado abrigo em tendas abandonadas para se proteger das temperaturas gélidas e dos ventos extremos da região.
O resgate ocorreu quando o alpinista, também chamado de Hillary Dawa Sherpa, foi avistado deslizando lentamente pela Cascata de Gelo do Khumbu. Segundo Pemba Sherpa, diretor executivo da 8K Expeditions, a sobrevivência de Dawa é classificada como um milagre. "Até onde eu sei, ninguém sobreviveu sozinho naquela altitude por tanto tempo. Este foi um verdadeiro auto-resgate", afirmou o diretor.
Recuperação e contexto da temporada
Após ser localizado, Dawa foi transportado via aérea para o Hospital HAMS, em Katmandu. O médico Nishant Dhakal, que integra a equipe de terapia intensiva, confirmou que o paciente está consciente, reconhece familiares e responde bem ao tratamento, apesar de apresentar sinais de congelamento nas mãos. A notícia trouxe alívio à família, que já havia iniciado os rituais de despedida e orações pela alma do guia.
A temporada de 2026 no Everest tem sido marcada por um fluxo recorde de escaladores, com mais de mil pessoas atingindo o cume. No entanto, o sucesso da temporada contrasta com a tragédia, já que cinco pessoas perderam a vida na montanha este ano. O caso de Dawa Sherpa serve como um lembrete dos riscos extremos enfrentados por profissionais que atuam no suporte a expedições no Himalaia.
Relatos do desaparecimento
O ex-fuzileiro naval britânico Chris Thrall, que acompanhava a descida, chegou a publicar uma homenagem ao guia nas redes sociais, acreditando que ele não teria resistido. Segundo Thrall, as condições climáticas foram severas, transformando uma subida planejada para cinco dias em uma jornada exaustiva de 11 dias. A recuperação de Dawa encerra uma busca tensa e renova as discussões sobre os protocolos de segurança em altitudes extremas.
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