Artigo - Por Angel Morote
A assistência social é a rede de proteção que acolhe
famílias e indivíduos em situação de vulnerabilidade em nossa cidade. Por meio
do Centro de Referência de Assistência Social (Cras) e do Centro de Referência
Especializado de Assistência Social (Creas), muitos cidadãos buscam orientações
sobre benefícios como o Benefício de Prestação Continuada (BPC), o Cadastro
Único e programas de transferência de renda. Entretanto, para que essa rede
seja realmente eficiente em Rio das Ostras, ela precisa ir além da entrega de
benefícios eventuais e atuar de forma integrada, preventiva e inclusiva.
Quando falamos de pessoas com deficiência, os desafios são
ainda maiores. A deficiência frequentemente amplia as dificuldades econômicas
das famílias devido aos custos com tratamentos, reabilitação, medicamentos,
transporte adaptado e cuidados permanentes. Por isso, a assistência social deve
atuar de forma proativa na identificação dessas necessidades, promovendo a
integração entre assistência, saúde, educação, esporte adaptado e inclusão no
mercado de trabalho.
O atendimento nas unidades de assistência social deve ser
acolhedor e humanizado. Assistentes sociais, psicólogos e demais profissionais
precisam estar preparados para compreender as diversas realidades encontradas no
município. A assistência social não deve ser apenas uma porta de entrada para
benefícios, mas um verdadeiro instrumento de promoção da cidadania e da
autonomia.
Outro tema que merece atenção é a situação das pessoas que
vivem nas ruas da cidade. Embora muitos cidadãos em situação de rua enfrentem a
ausência de moradia, vínculos familiares fragilizados ou problemas relacionados
à saúde mental e dependência química, existem casos em que algumas pessoas
possuem familiares, recebem benefícios sociais ou têm alternativas de
acolhimento, mas optam por permanecer nas ruas por não aceitarem determinadas
regras e normas dos serviços oferecidos pelos órgãos públicos e instituições de
acolhimento. Essa é uma realidade complexa que exige sensibilidade, diálogo e
estratégias específicas de abordagem social.
Com a chegada do inverno, a preocupação se torna ainda
maior. As temperaturas mais baixas aumentam os riscos para pessoas em situação
de rua, idosos, pessoas com deficiência e famílias em extrema vulnerabilidade.
Por isso, é fundamental que a Prefeitura de Rio das Ostras fortaleça o
planejamento das ações de assistência social, ampliando abordagens de rua,
campanhas de arrecadação de agasalhos, distribuição de cobertores, oferta de
acolhimento temporário e atendimento emergencial nos períodos de frio mais
intenso.
A omissão na assistência social pode condenar pessoas ao
isolamento, à exclusão e à perda da dignidade. Em Rio das Ostras, o desafio é
garantir que os serviços estejam presentes em todos os bairros, especialmente
nas regiões mais afastadas, contando com equipes multidisciplinares completas e
estrutura adequada para atender a população.
A proteção social deve funcionar como um escudo que assegure
direitos, promova oportunidades e garanta que nenhum cidadão seja deixado para
trás. Nossa luta deve ser por uma assistência social que empodere as pessoas,
oferecendo ferramentas para que cada cidadão possa construir seu próprio
caminho com autonomia, respeito e dignidade.
Fica a reflexão: a rede de assistência social de Rio das
Ostras está realmente chegando às pessoas com deficiência, às famílias
vulneráveis e à população em situação de rua que mais precisa de apoio,
especialmente neste período de frio?

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