
A Polícia Civil de Goiás (PCGO) está imersa em uma complexa investigação que apura o suposto desvio de aproximadamente R$ 37 milhões das contas de uma idosa já falecida, Angélica Gonçalves Pedrosa. O principal foco da apuração recai sobre seu neto, o zootecnista Fabiano Pedrosa Leão, suspeito de ter orquestrado uma série de movimentações financeiras irregulares ao longo de vários anos. O caso, que choca pela magnitude dos valores e pela relação familiar envolvida, lança luz sobre a vulnerabilidade de idosos e a importância da vigilância patrimonial.
A denúncia, que deu início à investigação, partiu de uma das filhas de Angélica, que notou transações suspeitas nas contas bancárias da mãe após ter acesso aos extratos. Esta percepção tardia, mas crucial, revelou um cenário de possível exploração financeira que se estendia por mais de uma década, levantando questionamentos sobre a administração de bens de pessoas idosas e as dinâmicas familiares.
A complexa teia da administração patrimonial e o desvio avó Goiás
As investigações da Polícia Civil indicam que Fabiano Pedrosa Leão assumiu a gestão do patrimônio de sua avó em 2009, logo após o falecimento do marido de Angélica. A justificativa para essa responsabilidade, segundo relatos, era a idade avançada da idosa, que, além de ser considerada "analfabeta digital", enfrentava dificuldades de locomoção. A família, por sua vez, informou que a renda mensal de Angélica girava em torno de R$ 7 mil, o que torna o montante supostamente desviado ainda mais discrepante.
Um dos pontos mais alarmantes da apuração, conforme detalhado pelo delegado Alexandre Bruno, é uma transferência de mais de R$ 1,4 milhão realizada em um único dia, apenas dois dias após o falecimento de Angélica, ocorrido em maio de 2024. A pessoa que recebeu essa vultosa quantia será intimada a prestar depoimento, adicionando mais um elo à cadeia de eventos que a polícia tenta desvendar. Este tipo de movimentação póstuma é frequentemente um sinal de alerta em casos de fraude patrimonial.
Defesa e contra-argumentos em meio à investigação
Questionado sobre as movimentações, Fabiano Pedrosa Leão alegou que os valores eram destinados ao pagamento de despesas relacionadas ao inventário da avó e que o dinheiro teria sido posteriormente dividido entre as filhas de Angélica, após a dedução de dívidas. Contudo, a Polícia Civil afirma que, até o momento, o suspeito não apresentou provas documentais que corroborem sua versão dos fatos, mantendo a suspeita sobre a legitimidade das transações.
Em depoimento prestado em 2025, o zootecnista afirmou que sempre manteve a avó informada sobre as movimentações financeiras e que os demais familiares não exigiam uma prestação de contas formal. Ele também mencionou que parte dos documentos referentes aos repasses teria sido assinada pelas próprias tias, sugerindo um conhecimento ou consentimento prévio por parte de outros membros da família. Fabiano ainda defendeu que seu patrimônio pessoal foi construído com base em seu próprio trabalho e na administração de terras da família, herdadas de seu pai e geridas por sua mãe e irmãos, desvinculando-o do patrimônio da avó. A defesa do suspeito não se manifestou novamente sobre o caso até o momento.
Ampliação do escopo e desdobramentos legais
O advogado da filha que apresentou a denúncia ressalta que, enquanto a idosa recebia uma pensão limitada, a destinação do restante de seu vasto patrimônio permanecia obscura. Ele também aponta para um crescimento patrimonial "significativo" por parte do investigado ao longo dos anos, um indicativo que reforça as suspeitas de enriquecimento ilícito às custas da avó.
As investigações não se limitam apenas a Fabiano e sua mãe, Marli Gonçalves Pedrosa Leão, que também está sob apuração por possível envolvimento. A Polícia Civil suspeita que outras pessoas possam ter participado do esquema, incluindo funcionários de instituições financeiras, cartórios e até produtores rurais da região, que teriam facilitado as movimentações financeiras. Essa rede de colaboradores, se confirmada, ampliaria significativamente a complexidade do caso e o número de indiciados. Para mais informações sobre como denunciar casos de violência contra idosos, acesse o portal do governo federal: https://www.gov.br/pt-br/servicos/denunciar-violencia-contra-idoso.
Fabiano Pedrosa Leão chegou a ser detido na última segunda-feira, dia 13, na cidade de Firminópolis, durante o cumprimento de mandados de busca e apreensão em sua residência e na de familiares. Na ocasião, foram encontradas duas armas de fogo em situação irregular, o que resultou em sua prisão em flagrante. Ele foi posteriormente liberado após o pagamento de fiança. O inquérito policial segue em andamento, e a PCGO informou que o indiciamento de quase todos os envolvidos está em fase final, prometendo novos capítulos para este intrincado caso de desvio de bens.
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