
A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou nesta quarta-feira (22) o uso do medicamento Mounjaro (tirzepatida) para o tratamento de diabetes tipo 2 em pacientes com idades entre 10 e 17 anos. A decisão, com impacto nacional, foi divulgada em São Paulo, SP.
mounjaro: cenário e impactos
Anteriormente restrito a adultos, o fármaco agora oferece uma nova opção terapêutica para jovens que convivem com a condição, que afeta milhões de adolescentes globalmente.
A aprovação da Anvisa para o Mounjaro em adolescentes baseia-se nos resultados de um estudo clínico significativo. Publicado em setembro de 2025 na renomada revista The Lancet, o ensaio envolveu jovens de 10 a 17 anos.
Os dados revelaram uma redução média de 2,2 pontos percentuais na hemoglobina glicada, um importante marcador do controle do açúcar no sangue, ao longo de 30 semanas. O estudo também apontou baixas taxas de descontinuação devido a efeitos adversos.
Os efeitos colaterais mais frequentemente observados foram sintomas gastrointestinais, como náusea, diarreia e vômito. A Lilly do Brasil, fabricante do Mounjaro e detentora da patente da tirzepatida, confirmou que a aprovação reflete a segurança e eficácia do tratamento para essa faixa etária.
A Federação Internacional de Diabetes (IDF) estimou, em 2021, que cerca de 1,1 milhão de adolescentes entre 14 e 19 anos vivem com diabetes tipo 2 globalmente. No Brasil, um estudo de 2019, publicado na revista Pediatric Diabetes, indicou que aproximadamente 213 mil adolescentes enfrentam a mesma condição.
A chegada do Mounjaro soma-se a outras opções já disponíveis no mercado. Entre elas estão o Victoza e o Lirux (liraglutida), aprovados para uso a partir dos 10 anos.
Além desses, o Saxenda, Olire (liraglutida), Wegovy e Poviztra (semaglutida) são autorizados para pacientes a partir dos 12 anos. Essas alternativas reforçam o arsenal terapêutico para o manejo do diabetes tipo 2 em jovens.
Uso e precauções
Apesar da recente aprovação específica para diabetes tipo 2, dados do Sistema Nacional de Gerenciamento de Produtos Controlados (SNGPC) revelam um cenário de uso off-label. Em janeiro de 2026, foram vendidas 3.385 caixas de medicamentos análogos de GLP-1 para menores de 18 anos.
Desse total, 2.542 caixas foram comercializadas fora das recomendações etárias dos fabricantes. O Mounjaro, por exemplo, teve 1.240 caixas vendidas para pessoas abaixo de 18 anos nesse período, antes da atual aprovação para diabetes.
O diagnóstico de diabetes tipo 2 em crianças e adolescentes está frequentemente associado à obesidade infantil. A Federação Mundial de Obesidade aponta que 38% dos brasileiros entre 5 e 19 anos são afetados pela obesidade.
Contudo, a Eli Lilly, fabricante do Mounjaro, reitera que a nova aprovação se restringe ao tratamento do diabetes tipo 2. O medicamento segue sem indicação em bula para controle de peso em menores de 18 anos, e a empresa não incentiva o uso off-label para essa finalidade.
Acompanhamento médico
Fábio Trujillo, presidente da Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade e Síndrome Metabólica (Abeso) e coordenador do Departamento de Obesidade da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM), alerta para os riscos.
Ele explica que a prescrição off-label para crianças menores de 12 anos deve ocorrer apenas em situações muito específicas e com extrema cautela, devido às evidências científicas limitadas.
Trujillo enfatiza que a automedicação, sem acompanhamento profissional, pode acarretar sérios riscos. Entre eles, problemas gastrointestinais, desnutrição – que pode comprometer o crescimento – e complicações raras como pancreatite ou colecistite.
O especialista reforça a necessidade de um tratamento transdisciplinar, envolvendo médico, nutricionista, psicólogo e educador físico, para garantir a segurança e a eficácia.
Há também preocupações sobre o impacto hormonal desses medicamentos. Eles podem influenciar a digestão de nutrientes, desregulando a menstruação e a ovulação, e até mesmo causar má formação óssea, elevando o risco de osteoporose precoce.
"Todo esse impacto hormonal também pode influenciar o humor e o comportamento da criança", afirma Trujillo. No entanto, ele pondera que, com acompanhamento adequado e indicação correta, não há sinais de forte prejuízo ao crescimento ou desenvolvimento sexual.
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Fonte: noticiasaominuto.com.br
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