‘Apodreça na cadeia’, diz Tarcísio sobre tenente-coronel da PM réu por feminicídio | Rio das Ostras Jornal

‘Apodreça na cadeia’, diz Tarcísio sobre tenente-coronel da PM réu por feminicídio

Corregedoria da Polícia Militar abriu um processo de expulsão do tenente-coronel. Reprodução/redes sociais/Instagram Gisele Alves Santana

Investigações indicam que Gisele foi assassinada, com evidências que contradizem a versão de suicídio apresentada por Geraldo

governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) afirmou esperar que o tenente-coronel Geraldo Leite Rosa Neto, preso preventivamente por feminicídio e fraude processual, “apodreça na cadeia”. A declaração foi feita à imprensa nesta quinta-feira (2), em Campos do Jordão, no interior do Estado.

Réu na Justiça Militar e na Justiça Comum, ele é o principal suspeito de matar a esposa, a também policial Gisele Alves Santana, em 18 de fevereiro.

O tenente-coronel nega e alega que ela atentou contra a própria vida com um tiro na cabeça.

Questionado sobre a transferência do tenente-coronel, de 53 anos para a reserva nesta quinta, Tarcísio afirmou que “as instâncias são independentes” e que “não se pode olhar o regulamento de forma casuística (análise de casos específicos)”. A aposentadoria havia sido solicitada pelo próprio tenente-coronel.

“Esperamos que realmente haja a punição severa, que ele perca o posto e a patente. Quando isso acontece, é como se ele tivesse morrido para a força. Depois, quem é o beneficiário da contribuição (previdenciária) ao longo do tempo? Os familiares. Porque a nossa ideia é que ele apodreça o resto da vida na cadeia”, afirmou Tarcísio.

A transferência à reserva foi publicada nesta quinta-feira, 2, no Diário Oficial do estado. Segundo a portaria, Geraldo Neto irá receber a aposentadoria “com os proventos (salário) integrais”.

Em fevereiro, mês em que Gisele foi morta, o salário bruto dele foi de R$ 28.946,81, de acordo com o Portal da Transparência do Estado.

Ele recebeu R$ 15.092,39 de salário líquido. Em 18 de março, ele foi preso preventivamente por feminicídio.

Também em março, a Corregedoria da Polícia Militar abriu um processo de expulsão do tenente-coronel. Se a expulsão for confirmada, ele perderá definitivamente o salário e sua patente.

“Nosso desejo é que ele seja condenado e condenado exemplarmente porque o que ele cometeu foi um crime bárbaro. Não podemos deixar isso passar impune. Tenho certeza de que não vai passar impune. A Justiça não vai deixar isso passar”, disse Tarcísio.

A Secretaria da Segurança Pública afirmou que o processo na Corregedoria continua em análise mesmo após a transferência do oficial para a reserva.

“A Polícia Militar reafirma seu compromisso com a legalidade, a disciplina e a preservação dos valores que regem a atividade policial militar”, informou em nota.

Entenda o caso

Gisele morreu com um tiro na cabeça na manhã de 18 de fevereiro, no apartamento em que ela vivia com o marido, o tenente-coronel Geraldo Neto. Só o casal estava em casa. Geraldo Neto afirmou à polícia que a mulher se suicidou depois que ele manifestou a ela o desejo do divórcio.

O caso foi inicialmente registrado como suicídio, mas foi modificado para morte suspeita após a família da vítima relatar que ela vivia uma relação abusiva, com excesso de controle e ciúmes por parte de Geraldo Neto.

A polícia afirma que a versão do tenente-coronel não se sustenta e que Gisele foi assassinada pelo marido, ou seja, foi vítima de feminicídio. A conclusão foi feita com base em uma série de indícios técnicos que a perícia encontrou durante a apuração do caso.

Entre as evidências estão marcas de unha na região do pescoço e do rosto de Gisele; manchas de sangue dela no banheiro, na bermuda e na toalha de Geraldo Neto; a maneira como a arma foi encontrada na mão da vítima e o modo como o corpo da policial estava disposto no chão, indicando uma provável manipulação da cena do crime.

Outro elemento citado pelos investigadores foi a relação do casal. A Polícia Civil extraiu as mensagens trocadas por Geraldo Neto e Gisele, e o que eles encontraram foi o retrato de um casal que vivia com constantes brigas, instabilidade, mas também o de uma mulher submetida a um casamento de muito controle, submissão e ciúmes.

Para a polícia, esses diálogos desmentiram a versão do tenente-coronel de que ele desejava o divórcio. O interesse pela separação, na verdade, partia de Gisele e era Geraldo quem impunha uma resistência a esse término.

A corregedoria da Polícia Militar também abriu uma investigação e tanto a Justiça Militar como a Justiça Comum decretaram a prisão do tenente-coronel. Geraldo Neto foi detido no dia 18 de março e aguarda julgamento.

R7

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