José Carlos Simonin, subsecretário de Governança, Compliance
e Gestão, é pai de Vitor Hugo Oliveira Simonin, um dos quatro réus por estupro
coletivo de uma adolescente de 17 anos.
A Secretaria de Estado de Desenvolvimento Social e Direitos
Humanos do Rio de Janeiro informou que José Carlos Simonin será exonerado nesta
terça-feira (3). O subsecretário estadual de Governança, Compliance e Gestão
Administrativa é pai de um dos quatro réus por um estupro
coletivo contra uma adolescente de 17 anos em Copacabana.
Dois
suspeitos se entregaram nesta terça-feira (2), mas filho de José
Carlos, Vitor Hugo Oliveira Simonin, é um dos dois foragidos. Segundo o
delegado, eles devem
se entregar até quarta-feira (3).
Segundo a pasta, a medida foi adotada no âmbito
administrativo “visando resguardar a integridade institucional e assegurar a
condução responsável dos fatos noticiados”. A secretaria afirmou ainda que as
investigações seguem sob responsabilidade das autoridades competentes.
Até a última atualização desta reportagem, José Carlos
Simonin não havia se manifestado sobre a exoneração.
Antes de a saída ser confirmada, Rosangela Gomes, secretária
de Desenvolvimento Social e Direitos Humanos, pasta onde fica a subsecretaria
de Simonin, publicou uma nota nas redes sociais afirmando ter tomado
conhecimento das “graves denúncias” com “profunda
indignação e tristeza”.
“Minha trajetória de vida e minha gestão são pautadas,
acima de tudo, pela defesa intransigente dos direitos das mulheres e pelo
combate a todo tipo de violência. Jamais compactuaria com qualquer ato que fira
a dignidade feminina ou a integridade de nossas jovens”, escreveu.
Ela informou ainda que, por meio do Governo do Estado, a
Secretaria da Mulher está prestando apoio jurídico e psicológico à adolescente
e à família. “Deixo aqui minha total solidariedade a esta jovem de 17 anos e à
sua família”, afirmou.
Posteriormente, o Governo do Estado do Rio de Janeiro também
se manifestou. Em nota, declarou que repudia “veementemente o ato de extrema
violência cometido contra uma adolescente” e informou que a Polícia Civil do
Estado do Rio de Janeiro concluiu a investigação e identificou cinco autores —
quatro maiores de idade e um menor.
Segundo o governo, a Justiça decretou a prisão dos
suspeitos, que estão foragidos, e diligências seguem em andamento para
localizá-los.
O que aconteceu?
Segundo o inquérito da 12ª DP (Copacabana), a vítima foi
convidada por um adolescente, ex-namorado, para ir ao apartamento de um amigo
dele, na noite de 31 de janeiro, na Rua Ministro Viveiros de Castro, em
Copacabana, na Zona Sul do Rio de Janeiro.
Esse rapaz teria pedido que a jovem levasse uma amiga, mas,
como ela não conseguiu, a adolescente foi sozinha.
No elevador, o rapaz avisou que mais amigos estavam no local
e sugeriu que fariam “algo diferente”, o que, segundo a vítima, ela recusou. Já
no apartamento, ela foi levada para um quarto e, enquanto mantinha relação
sexual com o ex, outros 4 rapazes entraram no cômodo.
A vítima relatou que, após insistência do adolescente,
concordou apenas que os amigos permanecessem no quarto, desde que não a tocassem.
No entanto, segundo o depoimento, os rapazes tiraram a
roupa, passaram a beijá-la e apalpá-la, forçando-a a praticar sexo oral e
sofrendo penetração por todos. Ela afirmou ainda que levou tapas, socos e um
chute na região abdominal. Tentou sair do quarto, mas foi impedida.
Câmeras e prints
Câmeras de segurança do prédio registraram a chegada dos
jovens ao apartamento e, depois, a entrada da adolescente acompanhada pelo
menor. As imagens também mostram o momento em que a vítima deixa o imóvel.
De acordo com o relatório policial, após acompanhá-la até a
saída do prédio, o adolescente retorna ao apartamento e faz gestos
interpretados pelos investigadores como de “comemoração”. Há ainda registros da
saída dos investigados do edifício em horários próximos ao crime.
Conversas por WhatsApp entre a adolescente e o menor, antes
do crime, foram incluídas no inquérito. Nas mensagens, ele a convida para ir ao
endereço e pergunta se ela poderia chamar uma amiga.
A jovem responde que não teria quem convidar, e ele afirma
que não haveria problema em ir sozinha. As mensagens também mostram a
combinação do encontro na portaria e os horários em que ela avisou que estava
chegando.
O que diz o laudo
O exame de corpo de delito apontou lesões compatíveis com
violência física. A perícia identificou infiltrado hemorrágico e escoriação na
região genital, além de sangue no canal vaginal.
Também foram descritos grupos de manchas nas regiões dorsal
e glúteas.
Materiais foram coletados para exames genéticos e análise de
DNA.
O que dizem os citados
A defesa de João Gabriel se pronunciou com a seguinte nota:
“A defesa de João Gabriel Bertho nega com veemência a
ocorrência de estupro. Duas decisões judiciais já haviam negado o pedido de
prisão preventiva feitos anteriormente. Há nos autos do processo, mensagens de
texto, trocadas entre a jovem e seu amigo, ambos com 17 anos, sobre a presença
prévia de outros rapazes na casa em que eles se encontrariam, como de fato
ocorreu.
A jovem afirma, em seu depoimento à polícia, ter permitido a
presença dos rapazes no quarto enquanto ela e o amigo estavam tendo um encontro
íntimo. No mesmo depoimento, ela relata ter tido outros pedidos atendidos. A
defesa contesta o fato de João Gabriel, estudante e atleta profissional, sem
nenhum histórico de violência, não ter tido oportunidade sequer de ser ouvido
pela polícia para se defender. Contesta ainda que a imagem da jovem ao fim do
encontro, se despedindo do amigo com um sorriso e um abraço, não tenha sido
objeto da investigação.”
Por g1 Rio

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