Mendonça determina que a PF investigue vazamento de conversas de Vorcaro | Rio das Ostras Jornal

Mendonça determina que a PF investigue vazamento de conversas de Vorcaro

Daniel Vorcaro, do Banco Master. Reprodução

Mensagens do dono do Master foram noticiadas pela imprensa depois que material oriundo da quebra de sigilo foi devolvido à CPMI do INSS 

O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), acolheu nesta sexta-feira (6) o pedido da defesa do dono do Banco MasterDaniel Vorcaro, para instaurar investigação sobre o vazamento para a imprensa de conversas do banqueiro. Dessa forma, o magistrado determinou que a Polícia Federal (PF) busque identificar “aqueles que teriam o dever de custodiar o material sigiloso e o violaram”.

Na decisão, o ministro informou que o vazamento não tem ligação com a investigação da PF, sob supervisão do Supremo, no âmbito da Operação Compliance Zero. A ação apura supostas fraudes envolvendo o Banco Master.

Segundo o magistrado, a divulgação das conversas colhidas no celular de Vorcaro ocorreu depois de o material ser devolvido à Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) que investiga as fraudes no Instituto Nacional de Seguro Social (INSS). O relator anterior do caso do Mater no STF, o ministro Dias Toffoli, havia ordenado que os documentos ficassem sob tutela da presidência do Senado até o repasse para a PF.

Mendonça destacou que, apesar de ter finalidades similares, as investigações da CPMI do INSS e da Operação Sem Desconto, que apura as cobranças indevidas no INSS, são distintas e possuem “autonomia entre si”. Logo, “contam com fontes de prova totalmente independentes”.

Ao aceitar o pedido da defesa de Vorcaro, o ministro relembrou que, quando autorizou a devolução do material à CPMI do INSS, “fez questão de consignar” que o “tratamento das informações deveria observar rigorosamente as garantias fundamentais”. Dentre elas, a “preservação da intimidade”.

“A quebra do sigilo de dados relativos à pessoa investigada não autoriza o seu desvelamento. Bem ao contrário, enseja, pela autoridade que recebeu a informação de acesso restrito, a responsabilidade pela manutenção do sigilo. Isso porque, a toda evidência, a eventual quebra de sigilo não torna públicas as informações acessadas“, disse Mendonça.

Mensagens de Vorcaro

Na quarta-feira (4), o presidente da CPMI do INSS, o senador Carlos Viana (Podemos-MG), comunicou que a PF entregou ao colegiado o material oriundo da quebra de sigilo de Vorcaro. No final do dia, conversas do banqueiro começaram a ser noticiadas na imprensa.

As reportagens expuseram trocas de mensagens de Vorcaro com autoridades, a namorada e affairs. Também foram divulgadas citações feitas pelo dono do Master a deputados, senadores, ministros do STF, jornalistas e empresários.

Entenda o caso Master

Após identificar indícios de irregularidades financeiras e a grave crise de liquidez, o Banco Central determinou, em 18 de novembro, a liquidação extrajudicial do Banco Master S/A, do Banco Master de Investimentos S/A, do Banco Letsbank S/A e da Master S/A Corretora de Câmbio, Títulos e Valores Mobiliários.

Em 21 de janeiro, o Will Bank, braço digital do conglomerado de Vorcaro, também teve o seu encerramento forçado.

O processo de liquidação do Banco Master foi acompanhado da Operação Compliance Zero. Também em 18 de novembro, a PF deflagrou a primeira fase da ação para combater a emissão de títulos de crédito falsos por instituições que integram o Sistema Financeiro Nacional (SFN). Diante da possibilidade de fuga, Vorcaro foi preso um dia antes. O banqueiro foi solto depois com o uso de tornozeleira eletrônica. O dono do Master foi detido novamente na quarta-feira (4).

Segundo as investigações, a instituição financeira de Vorcaro oferecia Certificados de Depósitos Bancários (CDB) com rentabilidade muito acima do mercado. Para sustentar a prática, o Banco Master passou a assumir riscos excessivos e estruturar operações que inflavam artificialmente o seu balanço financeiro, enquanto a liquidez se deteriorava.

Os episódios do Banco Master e da gestora de investimentos Reag, liquidada em 15 de janeiro, são os mais graves do sistema financeiro brasileiro. Os casos envolvem, além das fraudes, tensões entre o STF e o Tribunal de Contas da União (TCU), bem como com o Banco Central e a PF.

Em 17 de janeiro, o Fundo Garantidor de Crédito (FGC) iniciou o processo de ressarcimento aos credores do Banco Master, Banco Master de Investimento e Banco Letsbank. O valor total a ser pago em garantias soma R$ 40,6 bilhões.

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