Foco da divisão armada da Guarda Municipal é combater roubos
e furtos
Rio - No primeiro dia útil de atuação da Força Municipal,
cariocas celebraram o reforço nas ações de policiamento ostensivo e preventivo
voltadas ao combate de roubos e furtos no Rio. Inicialmente, o efetivo
atua em dois perímetros: a região que abrange a Rodoviária, o Terminal
Gentileza e a Estação Leopoldina, na Zona Portuária; e as adjacências do Jardim
de Alah, na Zona Sul.
No Leblon, onde fica situada a base litorânea da divisão de
elite da Guarda Municipal, moradores e trabalhadores relataram ao DIA,
na manhã desta segunda-feira (16), a sensação do aumento da criminalidade na
região e comemoraram o fortalecimento da segurança.
"Muitas vezes, saio do trabalho e vejo grupos grandes de adolescentes que
roubam, já vi vários assaltos por aqui. Eles dão a volta no clube do Flamengo e
não tem o que as pessoas fazerem. É muito revoltante. Fiquei até surpresa com a
construção da base, acho que vai trazer um benefício grande. Toda a cidade está
precisando disso. O armamento assusta, não sabemos se o agente está preparado.
Acho perigoso principalmente por ser uma arma letal. No calor da emoção, ainda
mais no Rio, é difícil ter preparo", contou a doméstica Regina Silva, de
40 anos.
Por meio de uma análise de ocorrências e dados, a Força
Municipal reforça o policiamento em áreas e horários com maior incidência de
furtos. A dona de casa Fabiana Farias, de 39 anos, mora próximo ao Jardim
de Alah e contou que já presenciou diversas ocorrências na praça. "Costumo
passar pelo Jardim de Alah e vejo muitos assaltos, há muitos moradores de rua.
Então acredito que essa nova base será importante para o bairro e vai melhorar
a segurança na cidade", comentou.
Outro ponto de insegurança citado pelos moradores da região
é o canal da Avenida Visconde Albuquerque. O estudante de Direito Mateus
Barreto, de 25 anos, relatou que já foi assaltado por criminosos armados no
momento em que passava pela área.
"Acredito que o Rio de Janeiro sofre com um problema
crônico de segurança. O que puder trazer mais segurança, é sempre bem-vindo.
Espero que melhore e, então, precise expandir para toda a cidade. Já sofri um
episódio de violência aqui próximo ao canal. Eu estava voltando de um futebol
com mais seis amigos e fomos assaltados a mão armada", lamentou.
Além do Jardim de Alah e a região da Rodoviária do Rio, a
prefeitura definiu outros 20 perímetros para o reforço no policiamento. A
implementação nessas áreas será feita de forma gradual, com a expansão sendo
avaliada nas reuniões do CompStat - sistema de segurança adotado pela Força
Municipal.
A corporação montou outras duas bases na cidade que contam
com setor administrativo, vestiários, refeitório, estacionamento e paiol - área
destinada à guarda de armamentos. Uma fica em Inhoaíba, na Zona Oeste, e a
outra em Piedade, na Zona Norte. O digitador Sebastião Santos, de 62 anos,
torce para que o patrulhamento chegue o quanto antes a mais pontos do
município.
"Sempre estamos precisando de mais segurança, porque a
violência está grande. Creio que o início do policiamento da Força Municipal é
um passo importante para nos sentirmos mais seguros. Espero que o policiamento
também chegue a outras regiões, não pode só priorizar a Zona Sul",
reforçou.
Na manhã desta segunda-feira, agentes armados atuaram nas
proximidades da Rodoviária do Rio, com apoio de viaturas, pick-ups,
motocicletas e vans. Além das pistolas, as equipes carregam tasers e
cassetetes. A cabelereira Michele Barros pontou que costuma se sentir insegura
na área e celebrou a presença das equipes.
"Acho que ainda é cedo para avaliar a questão da
segurança, mas já uma iniciativa que vem para melhorar esse problema. O entorno
da rodoviária é um ambiente bem hostil, bem inseguro. Com certeza a presença
dos agentes vai dar melhor sensação de segurança", comemorou.
Cada área de implementação da Força Municipal conta com um
supervisor responsável por coordenar e acompanhar o Quadro de Missão Dirigida (QMDs),
ferramenta utilizada no planejamento e na gestão operacional das atividades.
Por meio dos QMDs, os agentes recebem informações detalhadas sobre as ações
previstas, os objetivos, os pontos de atuação e o trajeto planejado, além de
orientações. São 600 guardas já incorporados à divisão de elite e mais 600
serão convocados.
A atuação dos agentes é acompanhada pela Sala de
Monitoramento e Gestão Operacional, no Centro de Operações do Rio (COR). Por
meio de GPS, câmeras corporais e dispositivos móveis de comunicação, os
supervisores podem acionar as equipes e acompanhar ocorrências. Se um guarda se
afastar do trajeto previsto sem avisar, o sistema envia um alerta à sala após
15 minutos, permitindo que a supervisão acompanhe a situação pelas câmeras corporais
e intervenha caso seja necessário.
O Dia

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