Demolição na Praia da Joana abre precedente histórico para a preservação ambiental em Rio das Ostras | Rio das Ostras Jornal

Demolição na Praia da Joana abre precedente histórico para a preservação ambiental em Rio das Ostras

 

A derrubada do quiosque e da residência da conhecida Tia Lola, ocorrida
nesta quinta-feira (26) na Praia da Joana, vai muito além de uma simples ação
 de reintegração de posse. Foto: Angel Morote / Rio das Ostras Jornal

Por Angel Morote

Decisão judicial definitiva sinaliza endurecimento na proteção do Monumento Natural dos Costões Rochosos e pode impactar outras ocupações em áreas de preservação

A derrubada do quiosque e da residência da conhecida Tia Lola, ocorrida nesta quinta-feira (26) na Praia da Joana, vai muito além de uma simples ação de reintegração de posse. Para especialistas e observadores do Poder Público, o desfecho deste processo de 35 anos estabelece um precedente jurídico rigoroso sobre a supremacia das leis ambientais sobre ocupações históricas em Unidades de Conservação.

O ponto central da questão é a localização da estrutura dentro do Monumento Natural dos Costões Rochosos (Monacor). Embora as leis de proteção integral tenham se consolidado e se tornado mais rígidas nas últimas décadas, a decisão judicial confirma que, em áreas de preservação ambiental, o interesse coletivo pela manutenção do ecossistema prevalece sobre o uso comercial ou residencial, mesmo em casos de décadas de permanência.

O "Fim da Impunidade" para construções irregulares

A demora de mais de três décadas para o cumprimento da sentença gerava, em parte da população, uma sensação de que tais ocupações jamais seriam retiradas. Com a execução da demolição amparada por forças de segurança, o Poder Judiciário envia um recado claro: o tempo de ocupação não garante o direito de permanência em áreas de proteção integral.

Este caso abre caminho para que outras ações civis públicas, que ainda tramitam na justiça local, ganhem celeridade. O precedente estabelecido na Praia da Joana serve de base para que o Ministério Público e os órgãos ambientais intensifiquem a fiscalização e a retomada de áreas em outros pontos sensíveis da orla riostrense.

Leis novas, proteção antiga

Embora a gestão e o plano de manejo do Monumento Natural dos Costões Rochosos tenham passado por atualizações recentes, o alicerce jurídico que permitiu a demolição remonta à falta de licenciamento original em 1990. A integração entre as antigas normas urbanísticas e as novas diretrizes de proteção ambiental cria agora uma "blindagem" jurídica que torna quase impossível a regularização de construções em costões e áreas de preservação permanente (App).

O desfecho na Praia da Joana encerra uma era de tolerância e inicia um período onde a natureza retoma seu espaço, amparada por uma jurisprudência que prioriza a sustentabilidade e o patrimônio ambiental de Rio das Ostras.

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