Defesa afirma ainda que a cliente ‘ajudava vizinhos’ por já
ter trabalhado em consultório e que não tinha interesse financeiro
Rio – Eloísa da Silva Souto, investigada pela Polícia
Civil sob a suspeita de praticar ilegalmente a profissão de dentista na Vila Aliança,
em Bangu, na Zona Oeste, não atendia pacientes, apenas ajudava amigos e
vizinhos, mesmo sem ter capacitação profissional. A afirmação é do advogado
João Pedro de Souza Amorim, que representa Eloísa.
Amorim admite que sua cliente não tem diploma, tampouco
registro - embora suas redes sociais, já bloqueadas, fossem personalizadas como
as de uma profissional de odontologia -, e alega que Eloísa, cuja ocupação
é outra, recebia pessoas próximas - em um ambiente similar ao de um
consultório, como se vê em fotos nas redes -, de maneira voluntária, por já ter
atuado como auxiliar de saúde bucal de um profissional. Ainda de acordo com a
defesa, ela nunca se passou por dentista.
“Isso não passa de um
mal-entendido. A Eloísa não possui registro, tendo em vista que não realizava
procedimentos, só ajudava vizinhos. Ela já trabalhou em consultório
odontológico e, diante disso, ajudava”, disse o advogado. "Ela sempre
deixou claro para todos que não era dentista, tampouco capacitada para
trabalhar como tal, tendo sua ocupação como vendedora", completou.
Questionado se a suspeita não se preocupava em causar danos
à saúde das pessoas por não ser uma especialista na área, Amorim respondeu: “Embora
equivocada, a conduta de Eloísa não foi motivada pela intenção de causar dano,
mas pelo desejo de ajudar familiares, sem qualquer vantagem econômica”.
Embora o advogado mencione um suposto desinteresse de Eloísa
em obter lucro com os atendimentos, ela mantinha, até a publicação da
reportagem, uma tabela com valores de diferentes procedimentos, como colocação
de facetas em resina, clareamento e remoções de tártaro, em sua conta comercial
no WhatsApp.
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Sobre uma foto postada em uma rede social na qual
Eloísa, mesmo não sendo graduada, ostenta o brasão da Universidade do Estado do
Rio de Janeiro (Uerj) bordado abaixo do próprio nome, em um jaleco branco, o
que poderia sugerir a eventuais pacientes que se trata de uma dentista, o
advogado salientou que a vestimenta foi adquirida: “Ela apenas comprou o jaleco
em um bazar”.
Amorim ressalta que Eloísa passou a ser abordada com a
repercussão do caso: “Ela está muito abalada com as ameaças e as mensagens que
vem recebendo”.
Queixas de pacientes
Nesta quarta-feira (11), uma reportagem de O DIA trouxe
retornos da Uerj e do Conselho Região de Odontologia (CRO-RJ), que garantiram
desconhecer registros em nome da mulher. Além disso, uma ex-paciente - que
preferiu não se identificar - relatou transtornos, incluindo dores, após um
“atendimento” no consultório de Eloísa, localizado na Rua do Desenhista,
há cerca de três meses, para uma restauração, que custou R$ 180.
“O resultado foi péssimo, fiquei com o dente inflamado,
alguns dias chorando de dor. No dia seguinte, estive em uma clínica, onde
fizeram um raio-x e confirmaram o que eu já sabia, que ela tinha feito
totalmente errado, colocando uma massa em cima da minha cárie. Dinheiro jogado
no lixo”, relembrou a mulher, acrescentando que ao pedir a quantia de volta,
recebeu apenas “grosserias e ameaças”.
Ela recordou ainda detalhes questionáveis da experiência no
consultório da suspeita, que oferece outros serviços, como colocação de facetas
em resina, clareamento e remoções de tártaro: “Desconfiei que ela pudesse não
ser dentista pelo fato de não dar anestesia. Mandou meu marido comprar água
oxigenada para jogar no meu dente alegando que era para não inflamar. E alguns
equipamentos pareciam ser de fazer unha”.
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A paciente, que soube sobre os serviços prestados por Eloísa
por meio de um conhecido, recordou que não foi a primeira a se frustrar com o
atendimento: “Meu marido é uma das pessoas insatisfeitas, pois colocou uma
lente de resina que não durou um mês. Tenho outra amiga que colocou com ela
também e depois arrancou tudo, pois ficava caindo. Além disso, da forma que ela
colocou, minha amiga não conseguia mais passar fio dental”.
Segundo a Polícia Civil, o caso foi registrado na 34ª DP
(Bangu) e, posteriormente, encaminhado ao Juizado Especial Criminal (Jecrim).
O Dia

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